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Múltipla Escolha, de Alejandro Zambra

O começo do livro foi bem nada com nada, me senti perdido. Qual o leitor que está acostumado com um livro, que conta diversas histórias sobre os mais variados assuntos, no formato de questões de vestibulares? Por isso o título “Múltipla Escolha”. É um chamado para sair do óbvio e forçar a mente a tirar significado de algo, primeiramente, sem sentido. Algumas páginas adiante já comecei a entrar na ideia do autor e acabei adorando o livro. Frases pequenas, com múltiplas escolhas para substituir os espaços em brancos, faz invocar logo aqueles tempos de escola. Acostumados a obedecer e ter que marcar alguma alternativa, percebermos o quanto fomos treinados e não educados, como o autor enfatiza. Aliás, é um dos assuntos que mais me marcou e proporcionou pensamentos filosóficos sobre o nosso sistema educacional, onde somos treinados a dar uma resposta correta, com medo de que não seja a correta, mesmo que outra alternativa faça mais sentido. 
Por que devemos adivinhar o que o professor/educa…
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A grande fome causada pelo comunismo chinês

Este livro é muito importante, pois há um deliberado silêncio sobre um passado não muito distante. Falo sobre o período maoista da China, um período longo onde o terror e a fome pairou sobre aquele país. Por que importante? Pelo simples fato de que celebridades e políticos, e o mais grave, até professores e ‘intelectuais’ vêm propagando nas últimas décadas o ideal – a utopia – comunista, o paraíso na terra onde todos os problemas desaparecerão e, enfim, todos serão iguais e possuirão as mesmas coisas, em um arroubo de paixão pela humanidade. Se você estuda numa universidade, ou se ainda está no ensino médio, provavelmente já ouviu do seu professor de História coisas lindas sobre o comunismo. Recentemente, se não me engano, o Colégio Dom Pedro II realizou uma palestra sobre a Revolução comunista da China, como se tudo tivesse ocorrido perfeitamente bem e ninguém tivesse sido assassinado, ou morto por inanição, só para agradar um ditador lunático e fanático, para não dizer louco. É um l…

Roger Scruton defende em “A alma do mundo” a experiência do sagrado frente aos ateísmos contemporâneos

Um dos mais respeitados nomes do conservadorismo britânico, Roger Scruton evita defender a prática ou doutrina de uma fé em especial.  No entanto, em seu novo livro, “A alma do mundo”, o filósofo lança seu olhar sobre uma visão religiosa do mundo, que, a seu ver, não pode ser captada pelas lentes dos materialistas e dos naturalistas.
Longe de apresentar uma defesa da existência de Deus, Scruton argumenta que, independentemente do significado evolucionista que possa ser atribuído à crença religiosa e seu papel na seleção natural, há uma função fundamental que ela representa, referente à manutenção da vida humana:
“As religiões dão foco e ampliam o senso moral; elas cercam aqueles aspectos da vida nas quais as responsabilidades pessoais estão enraizadas, notavelmente, o sexo, a família, o território e a lei. Elas alimentam as emoções distintamente humanas, como esperança e caridade, que nos elevam acima dos motivos que regem a vida dos outros animais e nos levam a viver pela cultura, não …

O Diário do Diabo, de Robert K. Wittman & David Kinney

Durante o julgamento de Nuremberg, o diário de Alfred Rosenberg havia sumido. Muitos anos depois do julgamento, começa a caça pelo diário de um dos homens mais influentes e mais íntimos de Hitler. O livro narra a busca pelo objeto valioso, sob o ponto de vista histórico, de forma romanceada e é quase uma aventura essa busca. Robert Kempner, um advogado que atuou incansavelmente para que os criminosos nazistas fossem condenadas e não ficassem soltos e impune, pegou o diário e nunca mais devolveu. Assim como tantos outros documentos importantes sobre o período nazista, que estava sob a responsabilidade do governo americano. Depois de morrer, começa uma pequena batalha para dois homens ter acesso aos documentos armazenados em muitas caixas numa casa antiga de Kempner. Um deles, um advogado oportunista, e o outro, arquivista do Museu do Holocausto. Depois de muitas manobras, chantagens e incredulidade – pois ninguém tinha visto tal diário, nem sabia se ele existia – a busca tem um fim com…

A hipótese humana, de Alberto Mussa

Um romance policial de assunto histórico, segundo o próprio escritor. Rio de Janeiro, século XIX. Um crime não solucionado, e um desfecho um pouco óbvio. Em A Hipótese Humana, o quarto livro do compêndio mítico sobre os séculos da história do Rio. De fato, mítico. Não li os três livros anteriores, mas neste o mito está bem presente. Assim como as crenças e rituais místicos daquela época. Domitila, filha do coronel Francisco Eugênio, é encontrada morta em seu quarto. Mas sabemos que Tito Gualberto lá esteve antes do assassinato (?) da sua prima, e amante. O coronel escuta barulhos vindos do quarto provisório da filha, situado no térreo ao lado da biblioteca, e adentra-o tarde demais, pois só vê um vulto além da janela e dispara contra quem quer que seja. O detetive, ou investigador, como você queira chamar, é o próprio Tito, amante da vítima. Suspeita primeiramente do marido de Domitila, Zé Higino. Mas tudo parece muito confuso, e o caso mostra ser bem mais complexo do que se imagina.

Em águas sombrias, de Paula Hawkins

Em águas sombrias é um Thriller bom. A narrativa se concentra na morte de Nel Abbott, uma mulher ‘encrenqueira’ que estava disposta a contar a história do Poço dos Afogamentos, e sobre as mulheres que foram atraídas pelas águas sombrias do rio. Atraídas e mortas. O tema morte e suicídio ganha ares sobrenaturais, com vozes sendo ouvidas pelas personagens e algo demoníaco envolvendo todas essas mortes. Agora Nel estava morta e deixara para trás muitas dúvidas e nenhuma resposta. Sua irmã Jules se vê de volta a um passado dolorido, e que culpava Nel por tudo o que lhe acontecera. Agora teria que lidar com Lena, pois ela era a sua única família. Lena a princípio insinua que a mãe tinha se suicidado, o que de certa forma ela acredita. Jules, não. Mas a cidade do interior da Inglaterra, Beckeford, é cheia de mistérios e todas as personagens vivem uma vida conturbada, cheia de mistérios a serem revelados.
São três as mulheres que supostamente se renderam ao chamado das águas: Lauren, Katie e …

A maldição de Stalin, de Robert Gellately

O Brasil, nos últimos anos, vive um momento de acalorado debate político. E quando se trata de política, logo pensamos em ideologias. Esquerda versus direita, comunismo versus liberalismo. E este livro bem escrito e pesquisado, traça um perfil sobre não a figura em si de Stalin, mas sobre como ele governou com mão de ferro – e cortina também – a URSS e todos os países satélites da mãe-pátria. É um livro importante para todos aqueles que, antes de sair bradando suas opiniões nas redes sociais, gostam de pesquisar um pouco para poder debater certos assuntos com mais propriedade. Ninguém duvida de que o nazismo foi uma ideologia sanguinária e desumana, que ceifou milhões de vidas inocentes por uma supremacia racial que o seu líder, Adolf Hitler, queria implantar na Alemanha, de início, e depois em toda a Europa. Já quando se trata do comunismo, vemos pessoas que defendem essa ideologia apaixonadamente e romantiza um período tão triste da História da humanidade. Que ninguém tenha dúvidas …