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Walt Disney e a lição de nunca desistir dos nossos sonhos

Assisti recentemente a “Walt antes do Mickey”, filme que está no catálogo da Netflix. Quem não assistia as aventuras do Mickey quando criança, não sabe o que é infância. Quando meu pai chegava do trabalho, numa sexta-feira, eu e meu irmão já aguardávamos qual filme ele traria da locadora do centro da cidade, uma das duas únicas locadoras que recordo ter existido por aqui. Lembre-se que naquele tempo não havia serviços de streaming, e alugar fitas VHS — depois veio o DVD substituir as VHS — era quase rotina semanal na maioria das casas. Principalmente em uma cidade pequena do interior em que não havia cinema. E o nosso fim de semana era embalado pelos filmes da Disney. Mickey Mouse, Pato Donald, Tio Patinhas, Minnie, Pateta, Pluto, etc. Eram essas animações que povoavam o nosso imaginário, assim como de todas as crianças daquela época. Hoje já não sei se as crianças têm o mesmo prazer de ter estes personagens povoando o seu imaginário, mas suponho que não. Infelizmente.

Walt Disney disp…

Contra o aborto, de Francisco Razzo

A discussão sobre o aborto é bastante polêmica. Aqueles que são a favor da prática abortiva dão inúmeros argumentos, a princípio técnicos, para convencer o público de que o aborto é, na verdade, importantíssimo para garantir a liberdade das mulheres. Mas o que nem todos sabem é que estes argumentos são apenas retóricos. Os defensores do aborto apelam para o emocional das pessoas para que a verdade não seja esclarecida. Pois quando se trata de um assunto tão complexo como este, a busca pela verdade objetiva é essencial.
Também são retóricos alguns dos argumentos daqueles que são contrários ao aborto. Então o nosso debate público se restringe ao uso da retórica e quem for o mais convincente em seus argumentos, não importa se é verdadeiro ou não, vence. Ou seja, não se trata a questão objetivamente e tendo em vista o que é verdade e o que não é.
A postura defendida pelo filósofo Francisco Razzo em seu livro “Contra o aborto” (Record, 266 pgs, R$39,90) é a filosófica. Para Razzo, os argumen…

A peste, de Albert Camus

Orã é uma cidade comum. 200 mil habitantes. Os moradores de Orã estão apenas preocupados em como ganhar dinheiro. Suas preocupações não vão além do quanto ganham. Praticamente são insensíveis, não ligam para o próximo, apenas querem ganhar a vida de forma tranquila e honesta. Eles nunca imaginariam que algo de ruim poderia acontecer a todos eles. Estavam preocupados demais pensando em si mesmos. A cidade portuária era uma cidade sem vida, pois não havia verde nas ruas. O narrador desta crônica descreve a cidade como um lugar desprovido de beleza, vida e sentimentos humanos. Porém os concidadãos, maneira como o cronista se refere aos moradores da cidade em terceira pessoa, veem um surto de ratos. Não apenas ratos andando para lá e para cá, mas ratos saindo de seus buracos e morrendo à vista de todos. Sempre em grupo. Muitos ratos mortos. Uma coisa surreal. Nas ruas, ratos. Nas casas, ratos. Nas praças, ratos. A Prefeitura se encarrega de fazer esta limpeza, recolhendo os cadáveres dos …

O homem revoltado, de Albert Camus

O Homem Revoltado é um livro bastante complexo. Para quem nunca leu Albert Camus, a leitura dele não é muito recomendada. Camus faz uma investigação na História e analisa quando surgiu este tipo de homem, o que se revolta. E com a revolta, as consequências que seguiram. O homem revoltado é aquele que não aceita o mundo como ele é. Não aceita a sua condição de escravo, pois o mundo está dividido entre escravos e senhores. Mas há vários tipos de revoltas, e todas elas levam para o niilismo. É difícil escrever sobre este livro, pois como já havia escrito, é complexo. Mas por que o século XX foi um século onde a revolta atingiu seu auge, e com ela, toda uma série de assassinatos tanto individualmente quanto coletivamente? Aqueles que pretendiam lutar por um mundo mais justo, aboliam a justiça para poder dominar sobre os povos e só depois implantar a verdadeira justiça na terra. Deus, para eles, foi destronado e assassinado em suas ideias, e agora o homem aspirava ao lugar outrora ocupado p…

Com desfecho previsível e clichê, "À primeira luz da manhã" não consegue sustentar o ritmo da história

Quem olhar para a minha estante vai perceber um grande número de romances ambientados no período da Segunda Guerra Mundial. Não só romances ambientados, mas também livros de não ficção sobre este período obscuro da nossa História. “À primeira luz da manhã”, de Virginia Baily, é um desses romances do qual falei. Ambientado na Itália ocupada pelos Nazistas, a história é um pouco confusa. A premissa é interessante, mas o desenrolar da trama não funciona. Cogitei várias vezes em abandonar a leitura e escrever uma resenha sobre as primeiras cem páginas que tinha suportado ler. Não que a escrita seja maçante, mas a forma como decidiu estruturar o romance é que torna a leitura enfadonha. Explico. Baily escreve sobre Chiara Ravello e Daniel Levi, um garotinho judeu que foi entregue a Chiara pela sua mãe, com muitas súplicas, para que o menininho não tivesse o destino do restante da família: ser enviado a algum campo de trabalho forçada na Alemanha. A protagonista aceita a sua missão, mesmo he…

As pupilas do senhor Reitor, de Júlio Dinis

As Pupilas do Senhor Reitor [Record, 368 pgs, R$32,90] é um clássico da literatura portuguesa. Como o título sugere, as personagens principais são as pupilas do S. Reitor. Margarida e Clara são irmãs, mas uma é o oposto da outra. Enquanto a mais velha, Guida, é reservada e dada às tristezas e melancolia da vida, a outra é alegre, brincalhona e de uma ingenuidade própria das raparigas (leia-se moças) de virtudes do século XIX. A trama gira em torno do já citado S. Reitor, as suas pupilas, o José das Dornas e seus filhos, Pedro e Daniel. Este último, que deveria ter sido padre, não fosse por sua paixão pela pequena Guida – os dois eram crianças – é o caos que agita toda a história. Mandado para a cidade do Porto, Daniel volta já médico para a aldeia onde nascera e passara a infância e causa agitação na pacata aldeia. Suas ideias modernas chocam o médico octogenário, João Semana, e a princípio há certa disputa entre o velho e conservador; o novo e o progressista. Pedro, irmão mais velho …

Os meninos que enganavam nazistas, de Joseph Joffo

Sabemos que o período nazista foi um dos piores episódios da nossa História. Nessa autobiografia envolvente, Joseph Joffo narra como ele e seu irmão fugiram dos nazistas e como conseguiram enganar aqueles homens que detestavam os judeus. Vivendo na França ocupada pelos alemães nazistas, os dois irmãos se veem sendo introduzidos a um mundo adulto repleto de maldade. Seus pais, que também fugiram da Rússia pelo fato de serem judeus, envia os dois filhos para uma cidade onde o domínio nazista não é muito forte. Imagino o quanto foi difícil para esses pais ver suas duas crianças partirem sozinhas rumo a um futuro desconhecido e perigoso, tendo que viver fugindo de pessoas más pelo simples fato de serem judeus. “O que é judeu”, pergunta Joseph ao pai inocentemente. No mundo infantil, onde a inocência ainda permanece imaculada, ter que entender algo dessa dimensão não é fácil. Antes viviam tranquilos e vagabundeando pelas ruas de Paris, agora estavam lutando para não serem capturados pelos …