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Postagens

A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …
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Na escuridão da mente, de Paul Tremblay

“Me assustei para valer, e eu não sou nada fácil de assustar”, diz Stephen King sobre este livro. Confesso que fiquei com medo, e até posterguei a leitura. Mas acabei encarando o desafio e dei início à leitura. Bem, é assustadora! Até certo ponto, pois depois tudo começa a ficar meio perdido. Sim, a história é sobre a (não?) possessão de Marjorie, filha mais velha de pais à beira de uma ruptura familiar e irmã de Merry, a irmã mais nova e pela qual sabemos como tudo aconteceu. Como o pai de Merry estava desempregado e com toda a situação assombrosa em casa, o padre Wanderly convence-o a transformar o drama familiar em um programa de televisão, A Possessão. Com este programa a família voltaria a ser próspera, mas o quanto vale a pena expor a família para todo o público?
Quem nos leva ao passado é a Merry já adulta, que concede entrevistas a uma autora que irá escrever sobre tudo o que aconteceu com a sua irmã, e como se deu as filmagens do programa mais assustador da época. Desenterrand…

Como me tornei um leitor

A leitura é um prazer quase de outro mundo. Quando descobri o mundo dos livros, já muito tarde, eu estava prestes a ingressar no ensino médio. Lembro-me de antes disso ler alguns livros, mas ainda não era fascinado pela leitura. Ao tentar buscar onde esse desejo apareceu pela primeira vez, minha memória falha. Algumas cenas do Capitão Gancho vêm em minha mente, mas é algo totalmente desconexo. O que lembro, e claramente bem, é do livro Transilvânia, um livro que li todo e que me transportou, magicamente, para outro mundo — o da história contada pela autora, que é brasileira. Não o quis devolver para a biblioteca da escola, mas fui obrigado. Foi o primeiro contato com a literatura que eu tive, e a primeira vez que me senti completamente arrebatado para outro mundo.  via GIPHY
Como meus pais não incentivavam a leitura em casa, passou-se um longo tempo até que eu retornasse para o fantástico mundo dos livros. Dessa vez, Harry Potter. Foi aí que me tornei um leitor frenético, e como meus pa…

Belas Maldições, de Terry Pratchett e Neil Gaiman

O fim do mundo está próximo, mas não tão próximo assim. Quero dizer, não em Belas Maldições, livro de Neil Gaiman e Terry Pratchett. Um anjo e um demônio, Aziraphale e Crowley, apesar de tudo o que sabemos sobre anjos e demônios, são muito próximos e até diria que amigos, mas claro que disfarçadamente para poder não pegar mal com o Céu e o Inferno. Após trocar o bebê que seria o Anticristo e acabaria com este mundo, muitas atrapalhadas acontecem e o fim do mundo corre o grande risco de não ser mais o fim do mundo. Ainda temos um livro de uma bruxa que profetizou sobre tudo o que aconteceria antes do fim do mundo, o As Justas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa. Nesta história o leitor irá encontrar anjos, demônios, ETs, caçadores de bruxas, crianças que brincam de Inquisidores, os quatro cavaleiros do Apocalipse, uma bruxa e um cão infernal que está mais preocupado em caçar ratos e gatos do que em ser um cão infernal. Tudo isto se encaixa e faz de Belas Maldições uma história divertida e…

O segredo de Heap House

No primeiro volume das Crônicas da Família Iremonger, um mundo totalmente sombrio é apresentado ao leitor. Temos a narrativa de Clod Iromonger, um dos vários Iremonger que moram em Heap House, uma mansão enorme construída com várias partes de vários lugares de Londres. O pano de fundo da história é o século XIX, e a crítica chegou a comparar o livro como “uma encantadora mistura de Charles Dickens com Lemony Snicket.” Sim, algo me fez lembrar Davidd Copperfield. As ilustrações dão um tom ainda mais sombrio, e tudo fica mais esquisito e interessante ao virar das páginas. Os Iremonger moravam nos cúmulos, em Forlichigam, Londres. Os cúmulos são como os nossos lixões, por assim dizer. Só que os lixões que conhecemos não ganham vida própria, como o dos cúmulos...
Cada Iromonger possui um objeto de nascença. O leitor pode estranhar, pois é realmente estranho. Não consegui achar alguma explicação plausível para tais apetrechos, que para as personagens é como se fosse um pedaço de suas almas.…

A grande fome causada pelo comunismo chinês

Este livro é muito importante, pois há um deliberado silêncio sobre um passado não muito distante. Falo sobre o período maoista da China, um período longo onde o terror e a fome pairou sobre aquele país. Por que importante? Pelo simples fato de que celebridades e políticos, e o mais grave, até professores e ‘intelectuais’ vêm propagando nas últimas décadas o ideal – a utopia – comunista, o paraíso na terra onde todos os problemas desaparecerão e, enfim, todos serão iguais e possuirão as mesmas coisas, em um arroubo de paixão pela humanidade. Se você estuda numa universidade, ou se ainda está no ensino médio, provavelmente já ouviu do seu professor de História coisas lindas sobre o comunismo. Recentemente, se não me engano, o Colégio Dom Pedro II realizou uma palestra sobre a Revolução comunista da China, como se tudo tivesse ocorrido perfeitamente bem e ninguém tivesse sido assassinado, ou morto por inanição, só para agradar um ditador lunático e fanático, para não dizer louco. É um l…

Múltipla Escolha, de Alejandro Zambra

O começo do livro foi bem nada com nada, me senti perdido. Qual o leitor que está acostumado com um livro, que conta diversas histórias sobre os mais variados assuntos, no formato de questões de vestibulares? Por isso o título “Múltipla Escolha”. É um chamado para sair do óbvio e forçar a mente a tirar significado de algo, primeiramente, sem sentido. Algumas páginas adiante já comecei a entrar na ideia do autor e acabei adorando o livro. Frases pequenas, com múltiplas escolhas para substituir os espaços em brancos, faz invocar logo aqueles tempos de escola. Acostumados a obedecer e ter que marcar alguma alternativa, percebermos o quanto fomos treinados e não educados, como o autor enfatiza. Aliás, é um dos assuntos que mais me marcou e proporcionou pensamentos filosóficos sobre o nosso sistema educacional, onde somos treinados a dar uma resposta correta, com medo de que não seja a correta, mesmo que outra alternativa faça mais sentido. 
Por que devemos adivinhar o que o professor/educa…