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A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …

O Próximo da Fila, de Henrique Rodrigues

O Guardanapo é o novo papiro.
Foto retirada do Google Imagens.

O próximo da fila pode ser um jovem, um empresário, um casal de namorados ou simplesmente uma pessoa que desperta o interesse do atendente pelo seu jeito desastrado. Aqui o protagonista é inominado, assim como as outras personagens. A primeira parte do livro é sobre a infância do nosso protagonista ao lado do pai, que tenta a todo o custo, fazer o filho ser esforçado na vida. Afinal, já tem treze anos, e ‘no tempo do seu pai’, ele já fazia várias coisas, foi expulso de casa e etc. A cena entre pai e filho no supermercado marca para sempre a vida dele. Após alguns anos, quando o pai parte para outro lugar melhor que esse, ele se lembra desse dia ainda com certa raiva.

Com a morte do pai, a família tem que se mudar para outra casa menor. A mãe, com dois filhos para sustentar, vai ter que voltar a trabalhar como empregada doméstica. A ‘primeira’ tia, a irmã do seu pai, vive dizendo que o menino tem que trabalhar para ajudar em casa, tem que se mexer, que foi criado com muito mimo. Ela é aquela velha tia que todos nós temos, que vive dando lição de moral e constrangendo a todos. A ‘segunda’ tia, irmã da sua mãe, é mais compreensiva e não pega muito no pé do menino, apesar de achar a mesma coisa. A mãe também não pressiona o menino, mas sabe que alguma coisa precisa ser feita. Ela sozinha não pode dar conta, e a sua preocupação é no dia do reajuste do aluguel, que já vê que não vai poder arcar. CDF, vindo de escola particular, o protagonista agora tem que estudar em escola pública onde ‘estuda favelado, pobre e burro’. Apesar de seu receio, que se concretiza após levar uma surra quando negou a passar cola, o garoto se acostuma ao colégio público com todas as suas limitações e ensino defasado. Está no primeiro ano e percebe que os assuntos estão muito atrasados.

Quando em um dia ele decide procurar um emprego para ajudar a mãe. Consegue um ‘subemprego’ em uma rede de fast-food internacional, onde logo se acostuma com a rotina da lanchonete e começa a fazer parte de um grupo. Sempre fora mais retraído e com o novo emprego, ele vê que sua vida social pode mudar e conhece novos amigos e o mundo dentro daquela lanchonete. Vê todo tipo de gente, lida com o gerente de bigode sem problemas, com a treinadora, com o amigo negro, com o cristão, o poeta e outros. Sente-se feliz, mesmo que para muitos esse trabalho não seja lá essas coisas. Lá dentro da lanchonete, os funcionários tem que cumprir o Padrão. Tudo pode acontecer, menos quebrar o Padrão. Ver colegas entrando e saindo, suspeitas de roubos ou de não adaptar-se, ou simplesmente por fazer a primeira greve de funcionários da rede de fast-food, que leva o amigo negro, com espírito revolucionário e anti capitalista sendo demitido.

“Mas eu prefiro a palavra escrita. Depois de fazer um curso gratuito de datilografia na escola, descobri que máquinas de escrever têm um barulho tão bom que poderia passar horas e horas batucando nas teclas, que dão vida ritmada às ideias ao mesmo tempo que parecem algo terapêutico.”

Com uma narrativa linear, em primeira pessoa, Henrique Rodrigues publica o seu primeiro romance pela Editora Record. Ambientado na década de 90, o autor escreve de forma leve e fluida, com personagens invisíveis ao dia a dia, tensões familiares, dosa bem o humor e aborda alguns assuntos sutilmente como preconceito, exploração no trabalho e a desigualdade social. O namoro com a cliente que lê Drummond, tem o desenvolvimento muito bonito mas acaba com um final trágico. Leitura rápida, gostosa – todas aquelas batatas, hambúrgueres, me deu água na boca. Misturando ficção com realidade, realidade com ficção, O Próximo da Fila é um romance agradável e surpreendente.

Comentários

  1. Parece um livro muito interessante, é preciso coragem e talento pra criar uma obra sobre uma pessoa comum, anônima. Se o autor for criativo mesmo, dará muito "pano pra manga".

    Gostei da resenha, muito boa.

    Alessandro Bruno
    www.rascunhocomcafe.com/2015/11/rocky-balboa-nao-se-trata-de-quanto.html

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Alessandro! O livro é realmente muito bom, e diferente. Original. O autor leva o leitor por situações dramáticas e engraçadas, e faz com que os leitores embarquem na sua história, mesmo não sabendo qual o nome do protagonista. Vale a pena a leitura.

      Abraços!

      Excluir

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