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A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …

O Cavaleiro da Morte, de Bernard Cornwell

“Reputação é honra, mas para obter essa honra o homem deve ficar na parede de escudos, onde a morte campeia.”



No segundo livro de As Crônicas Saxônicas, Uhtred volta para a sua casa depois da batalha de Cynuit, onde derrotara Ubba Lothbrokson. Mas quem levou a fama de ter matado o temido dinamarquês Ubba foi Odda, o Jovem; e Uhtred não gostou nada disso. Ao voltar a Wessex para se encontrar com Alfredo, ele quebra uma lei que nem sabia que existia. Uhtred interrompe uma missa e entra num lugar improvisado de igreja com Bafo de Serpente, e essa foi a sua transgressão. Os soldados da guarda real cercam-no e ali ele sabe que cometeu o erro de entrar com armas na presença do rei. E a punição para quem comete essa transgressão é a morte, mas Alfredo decide humilhá-lo e isso só faz que o ódio que Uhtred nutre pelo rei só aumente.

Mas mesmo odiando Alfredo e o cristianismo, Uhtred, depois de fugir dos dinamarqueses que quebraram a trégua que havia combinado com o rei e invadido Cippanhamm, o destino quis juntar os dois em Æthelingæg, uma região pantanosa. O destino é inexorável. Alfredo estava fugindo dos dinamarqueses com a sua família e um padre, e Uhtred ajuda-os mesmo sem saber que aquelas pessoas é a família real. Uhtred faz um juramento ao rei, que estava enfraquecido, de proteger a sua família e começa a convocar os fyrd dos ealdorman que não tinham desertado para formarem um exército e derrotar Gutrhum e recuperar Wessex. Os dinamarqueses já tinham tomados três reinos, o de Mércia, da Nortúmbria e de Ânglia Oriental. E tomando Wessex, não havia Inglaterra. Os saxões não permitiriam que pagãos tomassem a última esperança de um reino inglês. Deus não permitiria.

Bernard Cornwell tece uma trama cheia de traições, orgulho e esperança. O autor coloca Alfredo, o Grande, como um rei frágil e devoto ao extremo. 

“Mais parecia um padre do que o rei dos saxões do oeste, porque tinha o rosto irritado e pálido de alguém que passa tempo demais longe do sol e debruçado sobre livros, mas havia uma autoridade indubitável em seus olhos.”

Uhtred é violento, orgulhoso e ainda fica indeciso em qual lado ficar: dos pagãos, ou dos cristãos. Ele escolhe a última opção, porque o destino é inexorável. Só nas últimas páginas vemos a arrogância de Uhtred esvaindo-se. As cenas das batalhas são, como todos esperam, incríveis. A descrição da formação da parede de escudos, dos homens marchando e chocando-se parede contra parede é realmente sensacional. Ao ler essas cenas, podemos escutar os escudos chocando-se, os gritos dos homens, o barulho das espadas, o cheiro de sangue e o medo que aqueles homens sentem da morte. O ápice do livro, o momento que realmente me tirou o fôlego, foi o último capítulo, da guerra que leva Alfredo à vitória. A famosa Batalha de Ethandun. Cabeças rolam, literalmente, e um milagre acontece. Pois Guthrum tem mais homens que Alfredo, mas isso não impede que os saxões botem os pagãos para correr.

Teve alguns personagens que me conquistaram, e quando morreram, eu pensei em colocar Cornwell na frente de uma parede de escudos. O destaque desse livro, sem dúvida, foi o padre britânico Pyrlig, que é extremamente sarcástico e totalmente diferente dos padres que já nos foram apresentado. Ele tece comentários sobre as mulheres, que elas são mais poderosas que os homens, e de que quando uma corresse atrás de um homem com uma espada, ele morreria. Isso mostra o papel das mulheres naquele tempo, e creio que nos próximos livros elas vão aparecer mais na trama e exercer um papel de grande importância.

Esse é o verdadeiro dom das mulheres, ser sábias e não são muitos os homens que o têm.

Uma leitura agradabilíssima e empolgante. Juntamente com Toby Clements, Cornwell é o meu favorito quando se trata de romance histórico.

Comentários

  1. O Uhtred é muito inconsequente nesse 2º livro, mas a raiva que eu senti pelo Alfredo foi maior. hauhauhauha

    Leia logo o 3º, é muito bom!

    http://desbravandolivros.blogspot.com.br/2012/08/resenha-o-cavaleiro-da-morte-bernard.html

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    Respostas
    1. Alfredo também me fez sentir um pouco de raiva rs. Agora só vou conseguir ler o terceiro no próximo ano, a lista de livros está enorme! Abraços

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    2. Bah, te recomendo fortemente ler o 3º livro antes de dar uma parada. Ele fecha tipo um "ciclo" na vida do Uhtred. Acredite, leia logo, depois pode dar uns meses de folga!! ;)

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    3. Vou fazer de tudo para ler o terceiro, quando o assunto é Cornwell você é que manda rs

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