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Múltipla Escolha, de Alejandro Zambra

O começo do livro foi bem nada com nada, me senti perdido. Qual o leitor que está acostumado com um livro, que conta diversas histórias sobre os mais variados assuntos, no formato de questões de vestibulares? Por isso o título “Múltipla Escolha”. É um chamado para sair do óbvio e forçar a mente a tirar significado de algo, primeiramente, sem sentido. Algumas páginas adiante já comecei a entrar na ideia do autor e acabei adorando o livro. Frases pequenas, com múltiplas escolhas para substituir os espaços em brancos, faz invocar logo aqueles tempos de escola. Acostumados a obedecer e ter que marcar alguma alternativa, percebermos o quanto fomos treinados e não educados, como o autor enfatiza. Aliás, é um dos assuntos que mais me marcou e proporcionou pensamentos filosóficos sobre o nosso sistema educacional, onde somos treinados a dar uma resposta correta, com medo de que não seja a correta, mesmo que outra alternativa faça mais sentido. 
Por que devemos adivinhar o que o professor/educa…

O Prazer de escrever contos | Artigos

13 de Maio
Antigamente eu nem sabia o que era conto! Imaginem só, uma pessoa não souber o que é um conto? Pois eu era uma dessas pessoas. Até ler contos. Comecei a ler aqueles bem curtinhos, depois passei a ler os longos. Fui de autores iniciantes, e cheguei aos autores consagrados. Como Agatha Christie, por exemplo. H. P. Lovecraft me assustou literalmente com o seu Chamado de Cthulhu. Robert W. Chambers me deixou a beira da insanidade ao ler O Rei de Amarelo. Rubem Alves me deu leveza enquanto lia os seus contos e crônicas. Foi uma descoberta e tanto! E, ao mesmo momento em que comecei a ler e a gostar dos contos, comecei a escrevê-los também. Primeiramente fiz um conto bem curtinho, sobre dois garotinhos pernambucanos que nunca tinham ido à praia, e quando os pais decidiram levar as crianças para conhecer o mar, a chuva começou a cair na praia, para a tristeza dos garotinhos. Depois, escrevi um conto numa pegada mais psicopática, onde um homem se levantava de sua cama, e queria se divertir pela cidade. Mas a sua diversão era matar. Não matar qualquer um, mas só aqueles que mereciam morrer. Como por exemplo, um cara que estava querendo transar com uma prostituta sem ela querer, e começou a agredi-la. Aí, o homem se divertiu marando a pauladas aquele ser nojento e idiota. É, parece um pouco sinistro, mas foi isso que veio na minha cabeça e então comecei a escrever. Depois, escrevi alguns fantásticos: um que falava de uma garota que tinha dons, e o outro que falava de um menino que encontrava uma mulher esquisita no meio da floresta cantando algo sobre casamento.

E esse exercício, o de escrever contos, tem sido maravilhosos! É muito prazeroso escrever contos, pois temos que ser breves e dar um desfecho para a história em poucas páginas, o máximo de páginas que consegui escrever foi cinco. E eu sempre gosto de deixar o leitor com uma curiosidade. Sempre termino o conto com uma dúvida no ar. Muitos pedem continuação, até pedem para escrever um livro a partir de tal história. Mas sempre fico para pensar no assunto, mas nunca decido levar a ideia adiante. Acho que escrever um livro é muito difícil, mas estou aprendendo. Não adianta só escrever o que vir na sua mente. A história tem que ter um significado. Ou é assim, ou não adianta nada ficar escrevendo por horas e horas. Já tentei em dar continuidade a um conto que escrevi, chamado O Acampamento, que fala sobre um Brasil distópico. Até escrevi uns capítulos, mas travei. Preciso ler mais distopias para ter alguma referência e algum caminho para seguir.

Recentemente comecei a ler Agatha Christie, e fui bastante influenciado com sua escrita. Seus contos são riquíssimos e promove aprendizado para aqueles que escrevem. “Três ratos cegos” o conto que dá nome ao livro em que estou lendo da Agatha, é incrível. Não é a toa que ela é conhecida como a rainha do romance policial. Tamanha foi sua influência em minha escrita, que escrevi o conto A Festa. Nele, uma mulher importante de 40 anos foi morta no dia do seu aniversário, na hora que estavam cantando os parabéns para ela, na hora exata da sua chegada ao mundo. Nascera às dez horas da noite e morrera no mesmo horário. Vou deixar o link dele no final desse artigo.

Por fim, não sou um entendedor da literatura como um todo, mas deixo esse conselho, apesar de ser muito novo. Para quem estiver querendo começar a escrever um livro, o melhor caminho é escrevendo contos. Assim você fica mais acostumado e as ideias fluem naturalmente, além de ser um ótimo exercício e muito prazeroso.

Comentários

  1. eu amo contos, inclusive desses autores que vc citou ^^

    Acho legal você querer se expressar escrevendo os seus próprios contos... já tentei também, mas sem sucesso, os meus ficaram uma bosta kkkkkkkkkk

    Beijos ^^

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  2. Que legal, eu não consigo escrever contos. Os seus pareceram ser bem interessantes, especialmente a dos garotinhos na Praia, q é um tema bem original.

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  3. Sempre adorei ler contos, mas nunca tentei escrever um, apesar de amar escrever outras coisas. Já até pensei em começar um livro, mas acabei abandonando a ideia. Adorei seu conselho sobre começar por contos. Uma hora vou tentar. Heheh. Ótima publicação!

    Beijos,
    http://imperio-imaginario.blogspot.com/

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  4. Que legal, eu gosto de ler contos também, mas eu fico nos curtinhos por conta do tempo. Já que normalmente eu leio online. Eu comecei a escrever um, inspirada em outras coisas que li. Postei a primeira parte no blog e adorei ver as pessoas comentando como se aquele conto fosse da minha vida, engraçado essas associações. Eu acho divertido escrever, mas como leio muito pouco, acaba faltando muita inspiração. Mas de um modo geral é bem divertido né?

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  5. Você fez um trabalho de formiguinha com a descoberta dos contos, parabéns!
    Gosto de ler conto, mas poucos escrevi. Bom, acredito que você possa escrever um livro de contos... :D
    Quanto ao conselho, acho que quem deseja escrever um livro, deve escrever e só depois verificar em que gênero se classifica ou se simplesmente é algo novo no mundo literário...
    http://www.poesianaalma.com.br/

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  6. Vc é talentoso heim? Adorei todo conteúdo msm não sendo muito fã de contos, parabéns !
    Bjus

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  7. Poxa que bacana, eu até tentei escrever um livro uma vez mas agora percebi que teria saído um belo conto se eu não tivesse parado no 3º capítulo. Me deu uma ótima ideia, nunca tinha pensado de que um conto é bem mais fácil de escrever. Quem sabe um dia não tomo coragem e volto a escrever né? rs. Beijos

    Mutações Faíscantes da Porto

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  8. Eu também como boa leitora que em considero arrisco alguns rabiscos rsrs fico feliz que vc esteja enveredando por caminhos tão ricos e prazerosos amigo e quem sabe ainda tenho a alegria de ler algo seu?? bjs parabéns.. ah vi o rei amarelo em algures e vou começar a ler já.
    http://florroxapoemasepoesias.blogspot.com.br/

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  9. Descobrir os prazeres dos contos na escola, mas foi tarde no 2º ano do ensino médio...
    Gosto da forma de escrita e praticidade...nunca me arrisquei em escrever ium...
    Parabéns e sucesso...
    Gostei, muito legal!
    Blog ArroJada Mix
    Divulgação de Blogs

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  10. Juro que se minha vida não fosse tão corrida eu tbm começaria escrevendo por contos. Não faço muito a leitura deles pois gosto de passar o máximo de tempo que posso com meus personagens.

    xoxo
    http://www.amigadaleitora.com/

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  11. Oi, Allenylson!
    Sofro do seu mesmo "mal". Adoro torturar meus autores, "me amarro"! hahaha Escrever contos é uma terapia pra mim como parece ser pra você. O prazer e a alegria de dar vida à palavras... Ah, isso é indescritível.
    Com carinho,
    Celly.

    Me Livrando

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  12. Olá Allenylson! Concordo plenamente contigo. Os contos têm uma mágica especial sobre nós que escrevemos e sobre nós que lemos! demorei para me apegar a ele, mas depois não larguei mais. Adorei sua dica sobre a escrita. Vale muito a pena começar com a leitura e aos poucos ir passando para a prática!

    Espero ler muitos contos teus! Abraços!
    www.pensamentosvalemouro.com.br

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