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Múltipla Escolha, de Alejandro Zambra

O começo do livro foi bem nada com nada, me senti perdido. Qual o leitor que está acostumado com um livro, que conta diversas histórias sobre os mais variados assuntos, no formato de questões de vestibulares? Por isso o título “Múltipla Escolha”. É um chamado para sair do óbvio e forçar a mente a tirar significado de algo, primeiramente, sem sentido. Algumas páginas adiante já comecei a entrar na ideia do autor e acabei adorando o livro. Frases pequenas, com múltiplas escolhas para substituir os espaços em brancos, faz invocar logo aqueles tempos de escola. Acostumados a obedecer e ter que marcar alguma alternativa, percebermos o quanto fomos treinados e não educados, como o autor enfatiza. Aliás, é um dos assuntos que mais me marcou e proporcionou pensamentos filosóficos sobre o nosso sistema educacional, onde somos treinados a dar uma resposta correta, com medo de que não seja a correta, mesmo que outra alternativa faça mais sentido. 
Por que devemos adivinhar o que o professor/educa…

O Rei de Amarelo | Resenha do Livro


Sinopse: 'O Rei de Amarelo' é uma coletânea de contos de terror fantástico publicada originalmente em 1895 e considerada um marco do gênero. Influenciou diversas gerações de escritores, de H. P. Lovecraft a Neil Gaiman, Stephen King e, mais recentemente, o escritor, produtor e roteirista Nic Pizzolatto, criador da série investigativa True Detective cujo mistério central faz referência ao obscuro Rei de Amarelo. O título da coletânea faz alusão a um livro dentro do livro - mais precisamente, a uma peça teatral fictícia - e a seu personagem central, uma figura sobrenatural cuja existência extrapola as páginas. A peça 'O Rei de Amarelo' é mencionada em quatro dos contos, mas pouco se conhece de seu conteúdo. É certo apenas que o texto, em dois atos, leva o leitor à loucura, condenando sua alma à perdição. Um risco a que alguns aceitam se submeter, dado o caráter único da obra, um misto irresistível de beleza e decadência. Esta edição reúne, além dos contos do Rei, seis outros que alternam entre o sobrenatural e a realidade, em épocas e geografias diferentes. A introdução e as notas do jornalista e escritor Carlos Orsi, ajudarão novos leitores a mergulhar na bem construída mitologia do autor.

O Rei de Amarelo, de Robert W. Chambers (1865-1933) é um clássico na literatura fantástica. O livro reúne 10 contos, sendo a primeira parte mais fantástica, reunindo quatro contos. São eles, "O Reparador de Reputações", "A Máscara", "No Pátio do Dragão" e "O Emblema Amarelo". Todos eles citam a peça O Rei de Amarelo, que quando as pessoas o leem, ficam insanas. Na segunda parte, mais quatro contos, "A Rua dos Quatro Ventos", "A Rua da Primeira Bomba", "A Rua de Nossa Senhora dos Campos e "Rue Barrée". Esses quatro últimos mais realistas. Entre o intervalo desses oito contos, está "A Demoiselle dYs" e "O Paraíso do Profeta".

A escrita de Chambers é bastante marcante, o que para mim, tornou a leitura muita densa. Nos primeiros quatro contos, ele cria personagens aparentemente normais, até ler um livro com a capa de pele de cobra. Esse livro é O Rei de Amarelo, o qual só dá para conhecer alguns fragmentos da peça que o autor cita nesses contos. Após ler esse livro, que é uma peça, os personagens ficam insanos. Loucos.

Durante minha convalescência, comprei e li pela primeira vez O Rei de Amarelo. Lembro, depois de terminar o primeiro ato, que me ocorreu que era melhor parar por ali. (...)Se não tivesse visto de passagem as primeiras linhas do segundo ato, eu nunca teria terminado a leitura, mas, quando me levantei para pegá-lo, meus olhos grudaram na página aberta, e com um grito de horror, ou talvez tenha sido de alegria, tão pungente que o senti em cada nervo, afastei o objeto das brasas e voltei em silêncio e tremendo para meu quarto, onde o li e o reli, e chorei, e ri e estremeci com um terror que às vezes me assola. (O Reparador de Reputações, p.22)
Depois de ler, o personagem do primeiro conto começa a ter alucinações. Pensa que um dia irá virar rei, e tenta matar seu prima pois acha que ele quer tomar o seu trono. Ele acaba sendo preso, e pouco tempo depois morre. Os contos seguintes segue essa mesma linha, onde após ler O Rei de Amarelo, começam a ser perseguidos, como no conto O Pátio do Dragão, onde uma figura começa a perseguir o personagem por todos os cantos, no qual acaba na igreja, vendo, talvez, O Rei de Amarelo o condenando em uma narrativa horrenda. Os quatro últimos contos são mais realistas, e todos se passam em Paris em tempos diferentes. A Rua da Primeira Bomba, segundo os críticos é uma reconstituição ótima de Paris sob o bombardeio prussiano, em 1870-71). Chambers escreve sobre artistas, pintores pra ser mais exatos, em todos os seus contos. Os contos estão ligados uns aos outros, pois em todos eles vemos personagens, figuras, lugares que se havia lido no conto anterior.

A capa do livro tem uma semelhança com a pele de cobra, e a ilustração é sensacional.

A edição da Editora Intrínseca é ótima. Pois ao início da leitura, existe uma introdução sobre o livro e o autor, o que nos deixa mais informado sobre o que vamos ler. No fim de cada conto, existem notas explicando o que o autor queria nos dizer e o significado. Apesar de ter 254 páginas, a leitura se estendeu um pouco pra mim porque estava absorvendo o universo de O Rei de Amarelo.

Sobre o Autor

Nascido no Brooklyn, no ano de 1865, Robert W. Chambers estudou em Julian, em Paris, e teve suas ilustrações usadas nas revistas Life, Truth e Vogue. Apesar de ser um artista prolífico, Chambers tornou-se conhecido por O Rei de Amarelo. A Coletânea é um importante marco da literatura mundial e influenciou autores como H. P. Lovecraft, Raymond Chandler, Stephen King, Neil Gailman, entre outros. Chambers morou em Nova York com a mulher e o filho até sua morte, em 1933.

Comentários

  1. O fato de ser contos de terror me lembrou Noite na Taverna do Alvares de Azevedo, conhece? Recomendo a leitura.
    Gostei de ter notas explicando o que o autor quis dizer e nos fazer refletir o que lemos.

    www.eucurtoliteratura.com

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    1. Não conheço Tainan, mas valeu pela dica! As notas são bastante importantes para entendermos os contos e refletir mesmo. Bjs!

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  2. Parece um bom livro, gostei bastante da resenha.
    Tomara que eu tenha a oportunidade de ler esse clássico.

    Seguindo aqui... Abraços.
    http://cabinedeleitura1.blogspot.com.br/2015/02/meu-cantinho.html

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    1. O livro é bom sim, mas é muito denso. Você vai gostar de lê-lo :) Obrigado pelo carinho, bjs!

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  3. Olá, adorei a resenha.
    Já tinha certo interesse na obra, mas nem sabia ao certo sobre o que se tratava. A intrínseca realmente manda muito bem nas edições. Até mais. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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    1. E aí cara! Pois é, a intrínseca se supera em cada livro. E O Rei de Amarelo é muito bom, espero que leia ele em breve. Abs!

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  4. Oii, tudo bom?
    Ja tinha ouvido falar nesse livro, mas na época não me interessei porque falaram que a leitura era bastante densa. O livro parece ser bem bacana, a intrinseca arrasou na edição. Mas estou correndo de leituras dificeis atualmente kkk
    Um abraço
    Oficina do Leitor / Facebook

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    1. E aí Daniel! A leitura é bastante densa mesmo, mas vale a pena. Espero que o lei em breve! Abs!

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  5. Olá Allenylson,

    De fato é uma leitura densa, porém, bem assustadora. Gostei apenas dos quatro primeiros contos. As descrições feitas foram bem reais pra mim. Aliás, Robert Chambers influenciou outros mestres da literatura o que mostra que ele era brilhante.

    Abraços,

    Wilson Brancaglioni
    www.estantedowilson.com.br

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    Respostas
    1. E aí Wilson! Os quatro primeiro contos são bastantes assustadores e insanos, sem dúvidas que Chambers deixou o seu legado que influencia autores como Stephen King e Neil Gailman, por exemplo. Precisa ler mais obras do Chambers, porque, como você escreveu, ele era brilhante. Abraços!

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