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Como me tornei um leitor

A leitura é um prazer quase de outro mundo. Quando descobri o mundo dos livros, já muito tarde, eu estava prestes a ingressar no ensino médio. Lembro-me de antes disso ler alguns livros, mas ainda não era fascinado pela leitura. Ao tentar buscar onde esse desejo apareceu pela primeira vez, minha memória falha. Algumas cenas do Capitão Gancho vêm em minha mente, mas é algo totalmente desconexo. O que lembro, e claramente bem, é do livro Transilvânia, um livro que li todo e que me transportou, magicamente, para outro mundo — o da história contada pela autora, que é brasileira. Não o quis devolver para a biblioteca da escola, mas fui obrigado. Foi o primeiro contato com a literatura que eu tive, e a primeira vez que me senti completamente arrebatado para outro mundo.  via GIPHY
Como meus pais não incentivavam a leitura em casa, passou-se um longo tempo até que eu retornasse para o fantástico mundo dos livros. Dessa vez, Harry Potter. Foi aí que me tornei um leitor frenético, e como meus pa…

Belas Maldições, de Terry Pratchett e Neil Gaiman



O fim do mundo está próximo, mas não tão próximo assim. Quero dizer, não em Belas Maldições, livro de Neil Gaiman e Terry Pratchett. Um anjo e um demônio, Aziraphale e Crowley, apesar de tudo o que sabemos sobre anjos e demônios, são muito próximos e até diria que amigos, mas claro que disfarçadamente para poder não pegar mal com o Céu e o Inferno. Após trocar o bebê que seria o Anticristo e acabaria com este mundo, muitas atrapalhadas acontecem e o fim do mundo corre o grande risco de não ser mais o fim do mundo. Ainda temos um livro de uma bruxa que profetizou sobre tudo o que aconteceria antes do fim do mundo, o As Justas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa. Nesta história o leitor irá encontrar anjos, demônios, ETs, caçadores de bruxas, crianças que brincam de Inquisidores, os quatro cavaleiros do Apocalipse, uma bruxa e um cão infernal que está mais preocupado em caçar ratos e gatos do que em ser um cão infernal. Tudo isto se encaixa e faz de Belas Maldições uma história divertida e nada comum.

O humor sarcástico, as alfinetadas sobre assuntos polêmicos, referências à cultura pop do século XX e muita imaginação é uma boa pedida para aqueles leitores que gostam de algo assim. As histórias de Aziraphale e Crowley se cruzam com a de Anathema, que se cruza com a de Pulsifer, que se cruza com a dos ETs que têm uma mensagem importante para dar, que foi profetizada pela bruxa Agnes. Nunca o fim do mundo foi tão bagunçado e tão hilário. O garoto Adam Young é uma criança como qualquer outra, mas não qualquer. O quarteto Adam, Pepper, Brian e Wensleydale me fez lembrar um pouco das crianças da série Stranger Things, e indo para a década de 80, para as crianças do filme Stand by Me.


Não sei escrever bem sobre livros de fantasia, acho que perdi a prática. Mas Belas Maldições não poderia decepcionar os leitores que amam fantasia e que já estão acostumados com o humor ácido do Terry. Só li um livro de cada autor, preciso me aventurar mais nesse gênero como dantes. Qualquer coisa a mais que tentasse escrever só serviria como “encher linguiça” e esta resenha ficaria pedante e tediosa. Leiam e se divirtam, meus amigos. 

Comentários

  1. Com certeza será mais um integrante da lista, há dias que penso em me aventurar nas obras de Neil, e não seria nada mau fazê-lo quando em uma obra dividida (rsrsr).
    Obrigada!

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    Respostas
    1. Olá, Kah! Se aventure, com toda a certeza não irá se arrepender. Beijos!

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