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Como me tornei um leitor

A leitura é um prazer quase de outro mundo. Quando descobri o mundo dos livros, já muito tarde, eu estava prestes a ingressar no ensino médio. Lembro-me de antes disso ler alguns livros, mas ainda não era fascinado pela leitura. Ao tentar buscar onde esse desejo apareceu pela primeira vez, minha memória falha. Algumas cenas do Capitão Gancho vêm em minha mente, mas é algo totalmente desconexo. O que lembro, e claramente bem, é do livro Transilvânia, um livro que li todo e que me transportou, magicamente, para outro mundo — o da história contada pela autora, que é brasileira. Não o quis devolver para a biblioteca da escola, mas fui obrigado. Foi o primeiro contato com a literatura que eu tive, e a primeira vez que me senti completamente arrebatado para outro mundo.  via GIPHY
Como meus pais não incentivavam a leitura em casa, passou-se um longo tempo até que eu retornasse para o fantástico mundo dos livros. Dessa vez, Harry Potter. Foi aí que me tornei um leitor frenético, e como meus pa…

O segredo de Heap House


No primeiro volume das Crônicas da Família Iremonger, um mundo totalmente sombrio é apresentado ao leitor. Temos a narrativa de Clod Iromonger, um dos vários Iremonger que moram em Heap House, uma mansão enorme construída com várias partes de vários lugares de Londres. O pano de fundo da história é o século XIX, e a crítica chegou a comparar o livro como “uma encantadora mistura de Charles Dickens com Lemony Snicket.” Sim, algo me fez lembrar Davidd Copperfield. As ilustrações dão um tom ainda mais sombrio, e tudo fica mais esquisito e interessante ao virar das páginas. Os Iremonger moravam nos cúmulos, em Forlichigam, Londres. Os cúmulos são como os nossos lixões, por assim dizer. Só que os lixões que conhecemos não ganham vida própria, como o dos cúmulos...

Cada Iromonger possui um objeto de nascença. O leitor pode estranhar, pois é realmente estranho. Não consegui achar alguma explicação plausível para tais apetrechos, que para as personagens é como se fosse um pedaço de suas almas. Mas já no fim da história, tudo se esclarece e entendemos o porquê dos objetos murmurarem nomes pessoais. Clod, o nosso protagonista, ouve os objetos. Eles sussurram nomes, como já havia escrito, e depois começam a falar outras coisas. É como se cada objeto tivesse uma vida que fora roubada de si. Talvez seja isso mesmo. Lucy Pennant é a outra protagonista, e junto com Clod, irá se aventurar pela mansão Heap House.


Os dois, completamente distintos um do outro, se conhecem e o inesperado acontece. Ele, um puro-sangue, se apaixona pela empregada, uma Iremonger simplesmente. Já Lucy, órfão e não tão fácil de ser enganada, começa a desconfiar que há algo de errado naquela família. Juntos, os dois descobrem o segredo da casa e da família, e tomam uma decisão radical. Sair de Heap House e se aventurar lá fora, nos cúmulos. Mas, como toda história sombria, não há final feliz aqui. Apesar de alguns capítulos não serem tão relevantes, e de que o autor prolongou demais a história, os personagens e a trama são bastante divertidas. Para os mais jovens, um prato cheio. 

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