Pular para o conteúdo principal

A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …

A grande fome causada pelo comunismo chinês


Este livro é muito importante, pois há um deliberado silêncio sobre um passado não muito distante. Falo sobre o período maoista da China, um período longo onde o terror e a fome pairou sobre aquele país. Por que importante? Pelo simples fato de que celebridades e políticos, e o mais grave, até professores e ‘intelectuais’ vêm propagando nas últimas décadas o ideal – a utopia – comunista, o paraíso na terra onde todos os problemas desaparecerão e, enfim, todos serão iguais e possuirão as mesmas coisas, em um arroubo de paixão pela humanidade. Se você estuda numa universidade, ou se ainda está no ensino médio, provavelmente já ouviu do seu professor de História coisas lindas sobre o comunismo. Recentemente, se não me engano, o Colégio Dom Pedro II realizou uma palestra sobre a Revolução comunista da China, como se tudo tivesse ocorrido perfeitamente bem e ninguém tivesse sido assassinado, ou morto por inanição, só para agradar um ditador lunático e fanático, para não dizer louco. É um livro chocante, que aos mais sensíveis, chega a dar ânsia de vômito. O historiador Frank Dikotter não poupa os mínimos detalhes, e em vários momentos não poupa críticas a esse sistema belo na teoria, mas podre e desumano na prática.

Rico em fontes bibliográficas – são oito páginas dedicas à bibliografia selecionada – certamente não tem como acusar o livro de mentiroso ou de fazer parte de algum esquema imperialista para atacar o os comunistas. Como está explícito no título, a obra fala sobre a fome na China nos anos de 1958-62. Além de explicar todo o contexto, desde a ascensão do regime ao poder até os primeiros passos para uma catástrofe devastadora. Como pôde um líder que, supostamente, lutava pelo povo e queria o bem do povo, ser o pior inimigo do povo? Todos os discursos de igualdade, fim da pobreza, fome, opressão caíram por terra toda vez que um líder comunista subiu ao poder. Foi assim com Stálin, também com Mao Tsé-Tung. Este, numa obsessão louca de ultrapassar a URSS sob o comando de Nikita Kruschev, colocou todo o seu povo sob um jugo pesadíssimo. Queria ultrapassar a Grã-Bretanha na industrialização do aço, também como na produção de grãos, etc. Forçou todos os camponeses a abandonarem suas propriedades privadas a se juntarem em um fazenda coletiva, o que viria a ser as comunas, e a trabalhar para o Estado de graça. Eram submetidos à fome como incentivo para produzir mais, lógica absurda. Se alguém fazia corpo mole no campo, não recebia a ração diária e era obrigado a trabalhar mais ainda. Muitos eram torturados, humilhados, jogados para morrer de fome. As mulheres, crianças e idosos foram os que mais sofreram neste período maoista. Obcecado no Grande Salto Adiante, Mao em sua loucura fez com que toda a nação entregasse tudo quanto fosse aço, para poder produzir mais aço. Foram forçados, e os quadros locais, para surpreender os seus superiores e a Mao, obrigavam os camponeses a entregar tudo o que possuíam.

A fome devastou mais os campos do que as cidades, mas estas também sofriam. Carnes enlatadas enferrujadas eram consumidas e vendidas, carnes estragadas também. No campo, fezes humanas eram usadas como fertilizantes. Os mortos também eram usados como fertilizantes, e os quadros locais ferviam os corpos para tal objetivo. Sem planejamentos, os grãos eram desperdiçados e apodreciam. Enquanto milhões passavam fome, os grãos e carnes apodreciam pela falta de estocamento adequado. Quem ousasse falar sobre a fome, era taxado de “direitista”, “burguês”, “reacionário”, etc. A fome, para Mao, era apenas uma ilusão criada pelos seus inimigos para impedir o avanço comunista. Muitos se silenciavam para agradar o grande líder ou para salvar a si mesmos. Foi um período onde as mais diversas crueldades vieram a tona, e onde os humanos deram lugar ao pior de si. Irmãos matavam irmãos, por causa da ração diária. Mães deixavam filhos morrer, pois precisavam se alimentar. Crianças eram abandonadas, idosos também. Alguns chegaram a matar pessoas para poder sobreviver. Em um mundo entregue à fome, a barbárie se espalhou. O comunismo tem essa força maligna: a de tornar os humanos em criaturas primitivas, selvagens e bárbaras.

Esta não foi uma resenha técnica, pois precisaria de mais tempo para preparar um texto minucioso, o que farei em breve. Mas “A Grande Fome de Mao” é um livraço e só me faz ter convicção de que todas estas pessoas que se dizem comunistas e admiram esses homens cruéis são ditadores em potencial ou perpetradores do mal. Esqueçam a utopia de um mundo sem desigualdades, ou sem fome. Não queiram a todo custo salvar a humanidade, pois os que se renderam a tais pensamentos só fez mal a ela do que bem. Estima-se que durante o período da fome, mais de 48 milhões de chineses morreram. Os próprios comunistas chineses mataram seus compatriotas, o que é asqueroso. Mas faço uma pergunta a você: por que a propaganda do nazismo é crime (e tem que ser mesmo!), enquanto a propaganda comunista não? O comunismo é responsável por milhões de mortes a mais que o nazismo, e deveria ser tão criminoso quanto. Pense em um país comunista nos dias de hoje e procure alguma liberdade entre aquele povo, ou fim da desigualdade. O que você encontrará será apenas os líderes milionários, enquanto o povo padece na pobreza. Comunismo para você, capitalismo para mim. Essa é a lógica, a cruel lógica dos comunistas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Leia o conto "O Gato Preto", de Edgar Allan Poe

Não espero nem peço que acreditem nesta narrativa ao mesmo tempo estranha e despretensiosa que estou a ponto de escrever. Seria realmente doido se esperasse, neste caso em que até mesmo meus sentidos rejeitaram a própria evidência. Todavia, não sou louco e certamente não sonhei o que vou narrar. Mas amanhã morrerei e quero hoje aliviar minha alma. Meu propósito imediato é o de colocar diante do mundo, simplesmente, sucintamente e sem comentários, uma série de eventos nada mais do que domésticos. Através de suas consequências, esses acontecimentos me terrificaram, torturaram e destruíram. Entretanto, não tentarei explicá- los nem justificá-los. Para mim significaram apenas Horror, para muitos parecerão menos terríveis do que góticos ou grotescos. Mais tarde, talvez, algum intelecto surgirá para reduzir minhas fantasmagorias a lugares-comuns – alguma inteligência mais calma, mais lógica, muito menos excitável que a minha; e esta perceberá, nas circunstâncias que descrevo com espanto, na…

Ostra feliz não faz pérola, de Rubem Alves

Bem, vou começar falando o quanto eu aprendi lendo esse livro. Quando falo livro, acho que estou me referindo a mais um livro qualquer, o que não é o caso de Ostra feliz não faz pérola. Rubem Alves é simplesmente incrível, e seus textos que fazem parte do livro são maravilhosos. Claro que tem alguns ao qual eu não concorde muito, mas sobre isso não tenho nada a acrescentar, porque continua sendo maravilhoso de todo o jeito. Acho que vocês estão aí pensando que estou me referindo muito bem ao livro, e que isso cheire a alguma forma de merchan. Mas não caros leitores, quem teve o prazer de ler Rubem Alves sabe do que estou escrevendo.  Os textos falam sobre sofrimento que produz a beleza, da morte que conduz à vida, do envelhecimento que traz a juventude não vivida, do sagrado que está em todos os lugares. São doses de sabedorias que quero tomar sempre. O Rubem fala muito em suas crônicas de Nietzsche, Bach, Cecília e tantos outros ao qual ele admirava. Ostra feliz não faz pérola é uma gr…

O livro sobre nada | Poema de Manoel de Barros

O livro sobre nada

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu que…