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Belas Maldições, de Terry Pratchett e Neil Gaiman

O fim do mundo está próximo, mas não tão próximo assim. Quero dizer, não em Belas Maldições, livro de Neil Gaiman e Terry Pratchett. Um anjo e um demônio, Aziraphale e Crowley, apesar de tudo o que sabemos sobre anjos e demônios, são muito próximos e até diria que amigos, mas claro que disfarçadamente para poder não pegar mal com o Céu e o Inferno. Após trocar o bebê que seria o Anticristo e acabaria com este mundo, muitas atrapalhadas acontecem e o fim do mundo corre o grande risco de não ser mais o fim do mundo. Ainda temos um livro de uma bruxa que profetizou sobre tudo o que aconteceria antes do fim do mundo, o As Justas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa. Nesta história o leitor irá encontrar anjos, demônios, ETs, caçadores de bruxas, crianças que brincam de Inquisidores, os quatro cavaleiros do Apocalipse, uma bruxa e um cão infernal que está mais preocupado em caçar ratos e gatos do que em ser um cão infernal. Tudo isto se encaixa e faz de Belas Maldições uma história divertida e…

Quatro estações, de Stephen King


As quatro longas histórias reunidas nesse livro são quatro contos ‘comuns’, mas escritos pelo mestre do terror Stephen King. Não, elas não são de terror – embora haja esse elemento em algumas delas. Rotulado como escritor de terror, essas histórias são para provar que ele pode escrever histórias comuns, sem recorrer ao sobrenatural. Quatro estações é divido em quatro contos, um para cada estação. Em Primavera Eterna: Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank, King escreve sobre uma fuga inesperada, para não dizer impossível, de um presídio americano no estado do Maine. Descrevendo sobre a vida dura e difícil daqueles homens que estão sem esperanças e sem liberdade, o autor consegue fazer o leitor ter empatia pelo Red, o narrador dessa história, e claro, torcer para Andy Dufresne, que foi acusado de ter matado a esposa e o amante. Andy diz que é inocente e mantém a esperança de que ganhará sua liberdade novamente, pois ainda acredita na Justiça. Os dois acabam desenvolvendo uma amizade que transcenderá os muros cinzentos de Shawshank. O segundo conto, Verão da Corrupção: Aluno Inteligente é sobre um garoto que acaba se relacionando com um velho nazista. O que começa como uma curiosidade passa a ser uma espécie de obsessão. O velho não se arrepende do seu passado, e o garoto se corrompe ao passar tanto tempo ao lado do nazista, mesmo sem perceber. Uma espécie de amizade não consentida é mantida pelos dois, que têm naturezas quase idênticas, inclinadas para o mal. Outono da Inocência: O Corpo é o melhor conto do livro. A história é sobre quatro meninos que vivem em Castle Rock, que saem em busca do corpo de um garoto que morreu e está desaparecido. Gordie, Chris, Teddy e Vern são personagens eternizados nas telas do cinema, e ao ler sobre a aventura de suas vidas, o leitor sente aquela nostalgia ao se lembrar de sua própria infância. O último conto, Inverno no Clube: O Método Respiratório é o mais assustador de todos, mas não o melhor. O clube misterioso é um local onde velhos se reúnem para ler livros, tomar uma bebida, jogar conversa fora, e principalmente, contar histórias em frente a uma lareira, em poltronas confortáveis. Na véspera do Natal, um ‘membro’ do clube conta a história do método respiratório, que tem um corpo sem a cabeça ainda respirando por minutos. Sem falar no clube, que não sabemos ao certo se existe ou não.
Dos quatro contos, três foram adaptados para o cinema. A escrita do King é fácil, flui bem e conquista o leitor. Abordando temas pessoais, tal como a esperança em um mundo onde todos já não a têm, e a amizade, onde se é praticamente impossível ter algo próximo disso, Stephen King me surpreendeu e até me fez ficar um pouco emocionado. Refiro-me ao final do primeiro conto, você terá que ler para descobri por si mesmo. Amizade, lealdade, inocência e amadurecimento são temas abordados no conto O Corpo, o melhor do livro. Mesmo adultos, nos identificamos com um daqueles quatro garotos, e com muita tristeza concordamos com Gordie que nunca mais tivemos amigos como os que tínhamos aos 12 anos de idade. E o afastamento daqueles que um dia foram tão próximos é uma realidade da qual não podemos fugir. O perigo de sermos tentados, por curiosidade, a saber de coisas terríveis e acabarmos sendo contaminados pelo mal, lembra-nos que não somos perfeitos e que o mal está dentro de cada um de nós, mas o que decidimos fazer com isso é o que definirá o nosso caráter.
Nunca mais tivemos amigos como os que
tínhamos aos 11 anos de idade. Mas quem tem?

Quatro Estações não é o livro mais conhecido do autor,  pois se trata de um livro de histórias ordinárias, mas que se tornam extraordinárias através do Stephen King. Mas assim como a frase gravada no console da lareira no último conto, o importante é a história, e não o narrador.

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