Pular para o conteúdo principal

Belas Maldições, de Terry Pratchett e Neil Gaiman

O fim do mundo está próximo, mas não tão próximo assim. Quero dizer, não em Belas Maldições, livro de Neil Gaiman e Terry Pratchett. Um anjo e um demônio, Aziraphale e Crowley, apesar de tudo o que sabemos sobre anjos e demônios, são muito próximos e até diria que amigos, mas claro que disfarçadamente para poder não pegar mal com o Céu e o Inferno. Após trocar o bebê que seria o Anticristo e acabaria com este mundo, muitas atrapalhadas acontecem e o fim do mundo corre o grande risco de não ser mais o fim do mundo. Ainda temos um livro de uma bruxa que profetizou sobre tudo o que aconteceria antes do fim do mundo, o As Justas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa. Nesta história o leitor irá encontrar anjos, demônios, ETs, caçadores de bruxas, crianças que brincam de Inquisidores, os quatro cavaleiros do Apocalipse, uma bruxa e um cão infernal que está mais preocupado em caçar ratos e gatos do que em ser um cão infernal. Tudo isto se encaixa e faz de Belas Maldições uma história divertida e…

O lobo das planícies, de Conn Iggulden


O primeiro livro da série O Conquistador narra a juventude de Gengis Khan e a sua difícil jornada que o tornaria temido por todos. Após ser levado para a tribo da sua mãe pelo seu pai, Yesugei, Temujin descobre que a vida não lhe deixará sossegado. Viver durante um ano longe da tribo dos lobos e longe da sua família lhe trará muita humilhação e raiva. A garota que fora escolhida para ser a sua mulher é de uma família sem prestígios, e o velho Sholoi, pai de Borte – sua futura esposa – não o deixa em paz. Temujin atura tudo pensando em orgulhar o seu pai, mas não tira da mente o pensamento de fugir. A princípio, não vê nada na garota que lhe foi prometida. Mas depois de alguns acontecimentos, passa a desejá-la e convida Borte para fugir com ele. É quando a notícia de que Yesugei havia morrido chega. Temujin volta à tribo dos lobos, mas percebe que algo mudou. A traição era latente e Eeluk, homem de confiança do seu pai, reivindica ser cã dos lobos e trai a família daquele que tanto lhe ajudou. Deixados para trás, entregues à morte, Temujin e a mãe, com cinco irmãos, sendo uma ainda bebê, agora têm que lutar para sobreviver ao frio do norte da Mongolia. A jornada está apenas começando, e os sofrimentos também. Hoelun é uma mulher forte e fará de tudo para que os filhos não morram e se vinguem de Eeluk, mas a traição de um dos irmãos é castigada com a morte. Temujin logo se mostra implacável, e as características de um líder que comandaria muitos guerreiros começam a aparecer. Afinal, o pai céu o protege.

A coragem não pode ser deixada como ossos num saco. Deve ser tirada para fora e mostrada à luz repetidamente, ficando mais forte a cada vez. Se você acha que ela vai se manter para quando for necessária, está errado. Se você ignorá-la, o saco estará vazio quando você mais precisar.


Anos após serem deixados para morrer, Eeluk manda dois homens para saber se eles sobreviveram depois de tanto tempo. Com muita resistência, e vencido pelo cansaço e fome, Temujin é levado para o cã dos lobos, onde a morte o espera. O jovem mongol, que seria cã dos lobos se não fosse pela traição do homem de confiança de seu pai, é jogado em um buraco depois de ser arrastado por um cavalo, para a diversão de Eeluk. Ele descobre, para a sua tristeza, que a traição vem de onde menos se espera. As famílias que o vira nascer e respeitavam-lhes, agora riam e se calavam diante de tamanha crueldade. Mas há três pessoas do lado de Temujin, Arslan e Jelme – que fizeram juramento a Yesugei – e Basan, um dos lobos que mostrou misericórdia uma vez. Com a ajuda desses homens, ele retorna para a sua família e começa a reunir desgarrados para a sua tribo e tem a visão de juntar todas as tribos espalhadas sob o seu comando e ser um só povo. Seu nome começa a ser conhecido pelas planícies, pois os ataques constantes aos tártaros se espalharam e a sua fama começa a ser reconhecida, e alguns o temem. E ele não descansará até vingar a morte do seu pai, que foi morto pelos tártaros, e matar Eeluk. É apenas o começo de uma história bastante conhecida, pois o livro retrata a verdadeira jornada de Gêngis Khan, e o primeiro livro foca no nascimento e juventude daquele que seria uma personagem da História bastante admirada.

Eu mostrei que uma tribo pode vir dos quirai, dos lobos, dos woyela, dos naimanes. Somos um povo, Arslan. Quando tivermos força suficiente, eu farei com que eles venham a mim, ou vou derrubá-los um a um. Somos mongóis, Arslan. Somos o povo de prata, e um cã pode liderar todos nós.

A narrativa flui bem e a escrita é muito prazerosa, Conn Iggulden deixa o leitor mergulhado nessa incrível história e o faz se esquecer do mundo real. As cenas das guerras que são detalhadas no livro ganha vida, sons e cheiro e nos vemos transportados para o campo de batalha. Temujin é um personagem vivo, corajoso, inteligente, e ganha a nossa admiração e respeito ao virar das páginas. Sua visão estratégica é brilhante, e a sua autoridade como líder é digna de admiração. Ele faz com que até os inimigos o respeitem e o que parecia ser impossível – como conquistar alguns povos para lutar contra mais de mil tártaros que se aproximam – ele faz acontecer, com muita determinação disciplina. A história de Gêngis Khan em forma de romance é esplendorosa, e só escrevi sobre o primeiro livro. Ao todo, a série O Conquistador têm cinco livros que, acredito, será todos empolgantes e prazerosos, além de trazer informações verídicas sobre um homem que abalou o mundo.

Somos o povo de prata, os mongóis. Quando perguntarem, diga que não existem tribos. Diga que sou cã do mar de capim, e eles me conhecerão por esse nome, Gêngis. É, diga isso. Diga que sou Gêngis e vou cavalgar.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Leia o conto "O Gato Preto", de Edgar Allan Poe

Não espero nem peço que acreditem nesta narrativa ao mesmo tempo estranha e despretensiosa que estou a ponto de escrever. Seria realmente doido se esperasse, neste caso em que até mesmo meus sentidos rejeitaram a própria evidência. Todavia, não sou louco e certamente não sonhei o que vou narrar. Mas amanhã morrerei e quero hoje aliviar minha alma. Meu propósito imediato é o de colocar diante do mundo, simplesmente, sucintamente e sem comentários, uma série de eventos nada mais do que domésticos. Através de suas consequências, esses acontecimentos me terrificaram, torturaram e destruíram. Entretanto, não tentarei explicá- los nem justificá-los. Para mim significaram apenas Horror, para muitos parecerão menos terríveis do que góticos ou grotescos. Mais tarde, talvez, algum intelecto surgirá para reduzir minhas fantasmagorias a lugares-comuns – alguma inteligência mais calma, mais lógica, muito menos excitável que a minha; e esta perceberá, nas circunstâncias que descrevo com espanto, na…

Ostra feliz não faz pérola, de Rubem Alves

Bem, vou começar falando o quanto eu aprendi lendo esse livro. Quando falo livro, acho que estou me referindo a mais um livro qualquer, o que não é o caso de Ostra feliz não faz pérola. Rubem Alves é simplesmente incrível, e seus textos que fazem parte do livro são maravilhosos. Claro que tem alguns ao qual eu não concorde muito, mas sobre isso não tenho nada a acrescentar, porque continua sendo maravilhoso de todo o jeito. Acho que vocês estão aí pensando que estou me referindo muito bem ao livro, e que isso cheire a alguma forma de merchan. Mas não caros leitores, quem teve o prazer de ler Rubem Alves sabe do que estou escrevendo.  Os textos falam sobre sofrimento que produz a beleza, da morte que conduz à vida, do envelhecimento que traz a juventude não vivida, do sagrado que está em todos os lugares. São doses de sabedorias que quero tomar sempre. O Rubem fala muito em suas crônicas de Nietzsche, Bach, Cecília e tantos outros ao qual ele admirava. Ostra feliz não faz pérola é uma gr…

Download gratuito de livros: Crime ou um mal necessário?

Há dias atrás, questionei sobre a prática de downloads de livros de graça na internet. Eu mesmo confesso que sou um desses praticantes, e a reação das pessoas foram das mais diversas. Alguns entediam, e mesmo assim afirmava que era contra tal prática; outros, mais exaltados, diziam que isso era crime, e comparava as pessoas que baixavam e baixam livros pela internet como criminosos de alta periculosidade; outros, que era totalmente a favor de tal prática, explicava sua opinião sobre o assunto e depois era "crucificado" por tal afirmação — a de que baixava livros de graça sim, obrigado.

Os argumentos contrários eram contraditórios, pois afirmavam que tal prática afetava justamente aquele autor iniciante que ralava muito para publicar de forma independente, e quando conseguiam, alguém ia lá e disponibilizava gratuitamente seu ebook para download. Sendo que esse argumento é falho e refutável, pois a "demanda" e a real "necessidade" de baixar livros gratuitame…