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A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …

O lobo das planícies, de Conn Iggulden


O primeiro livro da série O Conquistador narra a juventude de Gengis Khan e a sua difícil jornada que o tornaria temido por todos. Após ser levado para a tribo da sua mãe pelo seu pai, Yesugei, Temujin descobre que a vida não lhe deixará sossegado. Viver durante um ano longe da tribo dos lobos e longe da sua família lhe trará muita humilhação e raiva. A garota que fora escolhida para ser a sua mulher é de uma família sem prestígios, e o velho Sholoi, pai de Borte – sua futura esposa – não o deixa em paz. Temujin atura tudo pensando em orgulhar o seu pai, mas não tira da mente o pensamento de fugir. A princípio, não vê nada na garota que lhe foi prometida. Mas depois de alguns acontecimentos, passa a desejá-la e convida Borte para fugir com ele. É quando a notícia de que Yesugei havia morrido chega. Temujin volta à tribo dos lobos, mas percebe que algo mudou. A traição era latente e Eeluk, homem de confiança do seu pai, reivindica ser cã dos lobos e trai a família daquele que tanto lhe ajudou. Deixados para trás, entregues à morte, Temujin e a mãe, com cinco irmãos, sendo uma ainda bebê, agora têm que lutar para sobreviver ao frio do norte da Mongolia. A jornada está apenas começando, e os sofrimentos também. Hoelun é uma mulher forte e fará de tudo para que os filhos não morram e se vinguem de Eeluk, mas a traição de um dos irmãos é castigada com a morte. Temujin logo se mostra implacável, e as características de um líder que comandaria muitos guerreiros começam a aparecer. Afinal, o pai céu o protege.

A coragem não pode ser deixada como ossos num saco. Deve ser tirada para fora e mostrada à luz repetidamente, ficando mais forte a cada vez. Se você acha que ela vai se manter para quando for necessária, está errado. Se você ignorá-la, o saco estará vazio quando você mais precisar.


Anos após serem deixados para morrer, Eeluk manda dois homens para saber se eles sobreviveram depois de tanto tempo. Com muita resistência, e vencido pelo cansaço e fome, Temujin é levado para o cã dos lobos, onde a morte o espera. O jovem mongol, que seria cã dos lobos se não fosse pela traição do homem de confiança de seu pai, é jogado em um buraco depois de ser arrastado por um cavalo, para a diversão de Eeluk. Ele descobre, para a sua tristeza, que a traição vem de onde menos se espera. As famílias que o vira nascer e respeitavam-lhes, agora riam e se calavam diante de tamanha crueldade. Mas há três pessoas do lado de Temujin, Arslan e Jelme – que fizeram juramento a Yesugei – e Basan, um dos lobos que mostrou misericórdia uma vez. Com a ajuda desses homens, ele retorna para a sua família e começa a reunir desgarrados para a sua tribo e tem a visão de juntar todas as tribos espalhadas sob o seu comando e ser um só povo. Seu nome começa a ser conhecido pelas planícies, pois os ataques constantes aos tártaros se espalharam e a sua fama começa a ser reconhecida, e alguns o temem. E ele não descansará até vingar a morte do seu pai, que foi morto pelos tártaros, e matar Eeluk. É apenas o começo de uma história bastante conhecida, pois o livro retrata a verdadeira jornada de Gêngis Khan, e o primeiro livro foca no nascimento e juventude daquele que seria uma personagem da História bastante admirada.

Eu mostrei que uma tribo pode vir dos quirai, dos lobos, dos woyela, dos naimanes. Somos um povo, Arslan. Quando tivermos força suficiente, eu farei com que eles venham a mim, ou vou derrubá-los um a um. Somos mongóis, Arslan. Somos o povo de prata, e um cã pode liderar todos nós.

A narrativa flui bem e a escrita é muito prazerosa, Conn Iggulden deixa o leitor mergulhado nessa incrível história e o faz se esquecer do mundo real. As cenas das guerras que são detalhadas no livro ganha vida, sons e cheiro e nos vemos transportados para o campo de batalha. Temujin é um personagem vivo, corajoso, inteligente, e ganha a nossa admiração e respeito ao virar das páginas. Sua visão estratégica é brilhante, e a sua autoridade como líder é digna de admiração. Ele faz com que até os inimigos o respeitem e o que parecia ser impossível – como conquistar alguns povos para lutar contra mais de mil tártaros que se aproximam – ele faz acontecer, com muita determinação disciplina. A história de Gêngis Khan em forma de romance é esplendorosa, e só escrevi sobre o primeiro livro. Ao todo, a série O Conquistador têm cinco livros que, acredito, será todos empolgantes e prazerosos, além de trazer informações verídicas sobre um homem que abalou o mundo.

Somos o povo de prata, os mongóis. Quando perguntarem, diga que não existem tribos. Diga que sou cã do mar de capim, e eles me conhecerão por esse nome, Gêngis. É, diga isso. Diga que sou Gêngis e vou cavalgar.





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