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A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …

Imaginário, de Gabriel Cianeto


Pessoas somem misteriosamente de um povoado e isso causa espanto para todos que ali moram. O que teria acontecido? Quem levou essas pessoas? É a partir daí que a história de Imaginário ganha vida. Metamorfo, Aradia, Watermade e Whisper’eaht, que possuem poderes, dons mágicos, partem em busca de seus parentes, amigos ou apenas conhecidos numa viagem incerta e cheia de surpresas. Já conhecemos muitas histórias parecidas e essa, para mim, seria apenas mais uma história fantástica. O mais do mesmo. Mas a história perde o foco, segue por rumos inconsistentes e tem diálogos superficiais.

Não é uma aventura com muita ação, magia, trolls, dragões. Mas há fadas, poderes sobrenaturais e uma fonte que, supostamente, é a causadora de todos esses sumiços. A leitura se torna maçante ao longo das páginas, os erros ortográficos (culpa da editora, acredito) deixam o leitor inquieto e as personagens não são bem desenvolvidas ao ponto do leitor saber quando Metamorfo está falando, suas características, etc. Em todas as leituras que faço, há aquelas personagens que para mim são reconhecíveis apenas pelo modo de ver as coisas. E isso não existe aqui.

Também há uma falta de impulso que faz as personagens ir atrás dos desaparecidos custe o que custar. Não há aquele apelo emocional, uma justificativa, um motivo forte o suficiente que fazem com que eles enfrentem o mal pelos seus. O único que tem um motivo forte, mas que parece esquecer-se ao longo da jornada, é Metamorfo. A sua única família, a única parte que restou dela foi levada por alguém ou algo desconhecido. Mas o autor não explora esse ponto tão bem quanto eu esperava. Outro problema que notei durante a leitura foi a ausência do mal, os protagonistas não sabiam o que estavam enfrentando e não havia nada que os fizessem ao menos supor o que era. Há a figura do mal, mas ela é tão ausente que parece não existir.


Há momentos bonitos e emocionantes, mas a história perde a força e se arrasta até o fim. Quanto ao final, fiquei bem confuso. Uma das personagens possuía poderes incríveis, mas que só foram usados depois de ter sofrido e quase ter sido morto. Poderia ser uma reviravolta na história, os poderes talvez ele tenha ganhado ali, mas não foi bem assim. O Imaginário de Gabriel Cianeto é bom, mas é uma pena que todo o potencial tenha se perdido ao longo da narrativa. 

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