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A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …

A história de um pai que saiu para comprar leite e o que aconteceu depois disso


Quando as crianças veem que não tem leite para comer com o cereal no café da manhã, o pai decide comprar leite – pois ele também precisaria do leite para pôr em seu chá. Ao sair de casa, vê um objeto no céu parecido com um grande disco. Não tem oportunidade de pensar muito no assunto, pois é absorvido por criaturas verdes e gosmentas que precisavam de um representante da raça humana para autorizá-los reformar o nosso mundo. E assim dá-se início a uma aventura quase absurda, com direito a viagem no tempo, dinossauro cientista, wampiros, profecias, piratas... A propósito, os dinossauros foram embora para as estrelas e agora fazem parte da polícia galáctica.

Como todo bom pai, ele faz de tudo para não perder o leite do café da manhã das crianças, pois cereal sem leite não é muito agradável. Dentro da nave havia uma porta e como qualquer um faria a se ver rodeado de criaturas verdes gosmentas, querendo reformar o seu mundo, ele foge por essa porta e volta ao tempo. Ao cair em um navio pirata, felizmente havia segurado bem firme o leite. Neil Gaiman arranca boas risadas do leitor, como ao fazer com que a personagem-pai explique aos piratas o que significa andar na prancha, punição essa que eles não sabiam que existia. A narração é interrompida algumas vezes pelas crianças, pois não acreditam na história do pai. Ao prosseguir com a história dos piratas e quando estava andando na prancha, um estegossauro cientista o salva da morte certa. Felizmente, o leite continuava intacto. O balão, que era chamado pelo dinossauro cientista de Transportador Pessoal Redondo Flutuante de Esteg, estava há cento e cinquenta milhões de anos no futuro, mas também estava trezentos anos no passado. Esteg batizava as coisas com nomes grandes e engraçados, por exemplo, coco era chamado de cascudos-cabeludos-de-polpa-branca, diamantes, safiras e rubis respectivamente são chamados de pedras-especiais-brilhantes-transparentes, pedras-especiais-brilhantes-azulzinhas e... pedras-especiais-brilhantes-vermelhas. Há mais situações em que o leite quase não consegue voltar para a mesa do café da manhã, mas como o título sugere: felizmente, o leite...

O livro ainda conta com as ilustrações de Skottie Young, premiado escritor e cartunista americano. Felizmente, o leite é uma leitura rápida e divertida. Gaiman consegue fazer com que o leitor vá até o fim da história para saber se o pai consegue levar o leite para os filhos, ou se ele o perde no meio do caminho. Há um pouco de ficção científica também, com uma explicação sobre espaço-tempo.

Intrínseca 
R$ 24,50

Autor: Neil Gaiman

Tradução: Edmo Suassuna

Ilustração: Skottie Young

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