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A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …

Histórias inéditas de C. S. Lewis são reunidas em novo livro lançado pela Planeta


Todos já leram ou ouviram falar em As Crônicas de Nárnia, um clássico da literatura fantástica universal, mas poucos sabem que o seu autor, C. S. Lewis, também escrevia ficção científica. Em A Torre Negra e outras histórias, lançado esse ano pela Editora Planeta, os escritos que iam para a fogueira foram reunidos e ganhou uma edição com notas explicativas sobre como esses escritos foram resgatados e quando foram escritos, e o que o autor estava querendo dizer com essas histórias. “A Torre Negra”, “O homem que nasceu cego”, “As terras fajutas”, “Anjos ministradores”, “As formas das coisas desconhecidas” e “Depois de dez anos” fazem parte do livro.

O primeiro fragmento que lemos é A Torre Negra, que seria a continuação da Trilogia Cósmica. Nele, lemos através do Lewis-personagem o que seus amigos descobriram. Através de um cronoscópio é possível ver outra realidade, ninguém sabe se no passado ou futuro, um outro mundo chamado por eles de Outrotempo. Em Outrotempo há uma torre sendo construída, a Torre Negra, e escravos, soldados e um Homem do Ferrão. Logo descobrem que em Outrotempo há duplicatas de pessoas do mundo real, e Scudamour e sua noiva têm duplicatas nesse outro mundo. É uma história que mistura horror, originalidade, fascínio e muita ciência. 

Em certo momento, em um rápido momento, o Scudamour desse mundo passa para Outrotempo e sua duplicata, que era o Homem do Ferrão, vem para o nosso mundo. Não sou muito de ler histórias de ficção científica, mas não posso negar a genialidade desse grande escritor em narrar histórias tão complexas. Seus personagens são consistentes, e o horror que consegue passar ao descrever o Homem do Ferrão é indescritível. Já as outras histórias, algumas pequenas outras mais longas, são marcantes e difere de tudo aquilo que já lemos.

Em Depois de dez anos, Lewis se arrisca, de forma bem-sucedida, em ficção histórica. Nessa história, Cabeça Amarela Menelau está dentro do cavalo de madeira que iria invadir Troia para resgatar Helena e acabar com a cidade. Mas qual a surpresa de Menelau ao avistar Helena, dez anos depois, velha e desprovida da beleza divina que tanto sonhara! E agora, o que ele iria fazer? Na nota explicativa, Roger Lancelyn Green explica que C. S. Lewis começou a escrevê-la antes de ir para a Grécia, em 1959. Ele começou a enxergar imagens em sua cabeça “a imagem de Cabeça Amarela no Cavalo de Madeira e a concretização de que ele e o resto devem ter experimentado durante quase 24 horas de claustrofobia, desconforto e perigo”. Green ainda diz que havia discutido com Lewis sobre todas as lendas de Helena e Menelau. Mas ele não conseguiu prosseguir com essa história após a morte da sua esposa Joy.

Para quem é fã do C. S. Lewis, esse livro é uma preciosidade. São fragmentos que, possivelmente, iriam ser queimados – assim como outros escritos foram queimados numa fogueira durante três dias. Walter Hooper conseguiu salvar apenas estes que fazem parte de “A Torre Negra e outras histórias”, e lamenta não poder ter salvado mais. Nós também lamentamos muito, mas ficamos contentes por Walter ter conseguido salvar esses seis. Ele também explica como achou os escritos e em qual situação. C. S. Lewis morreu em 22 de novembro de 1963 e deixou um legado que dura até hoje. Imortalizou seu nome entre os grandes da literatura universal.

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