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A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …

Investigação Olímpica, de Fernando Perdigão


Para solucionar uma série de crimes na Cidade Olímpica, o detetive Andrade, de um humor inteligente e ácido, com a ajuda de sua assistente, a inspetora Lurdes, seguirá as pistas deixadas pelo criminoso e se envolverá nas mais engraçadas situações. Uma leitura divertida, que abandona o politicamente correto – e por isso, talvez, alguns leitores se chocarão com esse detetive inteligente e engraçado. Andrade foi escolhido pelo secretário do governo para ser a autoridade policial olímpica, o que deixa o detetive feliz pelo reconhecimento de seu trabalho. Mas ao chegar ao seu novo local de trabalho, a Cidade Olímpica, percebe que ali a lei não tem muita importância. E como homem da lei, fará o possível – e até o impossível – para que a lei prevaleça. Lida com pessoas orgulhosas, que desejam mais e mais o poder e que não hesitarão para que o Brasil alcance o recorde de medalhas – e isso inclui envenenar os principais adversários dos atletas brasileiros. 

E é esse caso que o detetive procura esclarecer, mas que não será fácil. Uma atleta africana é picada por uma vespa e sai da competição, depois a delegação russa passa mal e um halterofilista é morto e depois uma atleta americana, episcopal, é pega no antidoping – todos esses casos estranhos despertam no detetive o sinal de alerta para algo sujo. Quem seria o responsável por todos esses “acidentes” aos principais adversários dos brasileiros? Como provar que havia uma conspiração para que o Brasil batesse o recorde de medalhas, mesmo que à custa de uma grande sabotagem? A essas perguntas Andrade tem as respostas.

Em um Brasil assolado pela criminalidade, esse papo de esporte como salvação dos jovens não passa de uma utopia para o detetive. Politicamente incorreto como é, choca as autoridades organizadoras das Olimpíadas com suas opiniões sinceras e, convenhamos, com um fundo de verdade. Em um tempo onde todos são considerados racistas, xenófobos, opressor, o detetive Andrade é tudo isso e muito mais – para o politicamente correto. Mas se o leitor não for um desses que se doem e levam tudo a sério, em uma espécie de hipersensibilidade, irá rir alto com as pérolas do detetive.

A importância disso aqui é nenhuma. A população não vai comer mais ou dormir melhor porque houve uma Olimpíada. Além do mais, o sucesso dela só vai desviar nossa juventude do estudo e do trabalho, para uma vagabundagem institucionalizada. (p. 117)
Publicado pela editora Oito e Meio, “Investigação Olímpica” é um livro para fazer o leitor se divertir e sair um pouco desse mundo chato e de um forte policiamento do pensamento. Não conhecia ainda o Fernando Perdigão, mas darei atenção aos seus livros já publicados por outras editoras. O detetive Andrade faria um barulho enorme se realmente existisse, o que lamento profundamente não ser verdade. Às vezes a ficção é mais realista do que a própria realidade.

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