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Múltipla Escolha, de Alejandro Zambra

O começo do livro foi bem nada com nada, me senti perdido. Qual o leitor que está acostumado com um livro, que conta diversas histórias sobre os mais variados assuntos, no formato de questões de vestibulares? Por isso o título “Múltipla Escolha”. É um chamado para sair do óbvio e forçar a mente a tirar significado de algo, primeiramente, sem sentido. Algumas páginas adiante já comecei a entrar na ideia do autor e acabei adorando o livro. Frases pequenas, com múltiplas escolhas para substituir os espaços em brancos, faz invocar logo aqueles tempos de escola. Acostumados a obedecer e ter que marcar alguma alternativa, percebermos o quanto fomos treinados e não educados, como o autor enfatiza. Aliás, é um dos assuntos que mais me marcou e proporcionou pensamentos filosóficos sobre o nosso sistema educacional, onde somos treinados a dar uma resposta correta, com medo de que não seja a correta, mesmo que outra alternativa faça mais sentido. 
Por que devemos adivinhar o que o professor/educa…

"Até você saber quem é", de Diogo Rosas G.


Essa é a história de Daniel Hauptmann, um jovem escritor curitibano talentoso. Daniel odeia Curitiba, mas a cidade não deixa que o jovem se liberte de sua prisão. Sente que a cidade do futuro rouba suas energias, seus sonhos, sua vida. Roberto é o guia dessa brilhante e sombria história, melhor amigo de Daniel. Conheceram-se nos tempos de faculdade e nunca mais se separaram. Uma amizade bonita, verdadeira e com um final trágico. Com uma narrativa não linear, os capítulos alternam-se entre o presente – narrado em terceira pessoa – e o passado, em primeira pessoa. Na Curitiba do final dos anos 80 ao início dos 90, Roberto revive suas memórias ao lado do melhor amigo. O mistério que Roberto anuncia nas primeiras frases do livro deixa o leitor curioso para saber quem é esse tal de 
Daniel.

Sei que muitos chegarão às páginas deste livro buscando entender os homicídios cometidos por seu personagem principal, e isso não me surpreende.

Sabemos que o personagem principal – Daniel – cometeu não só um, mas alguns homicídios. E isso desperta tamanha curiosidade e faz com que absorvemos cada linha, atrás de uma pista que indicasse qual espécie de homicídio ele cometera. Porém, o Daniel que conhecemos não parece em nada com um assassino. Ao contrário, desejamos ter aquele jovem cheio de vida e muito inteligente em nossas vidas. Mas como todo jovem, ele tem uma relação complicada com os pais. Mais com o pai, na realidade. É aquela velha história que todos conhecemos e vivenciamos. 

O pai quer que o filho seja um advogado, trabalhe e ganhe dinheiro. Muito dinheiro. É somente isso o que importa. Para Daniel, assim como para muitos de nós, a vida não pode ser resumida somente ao dinheiro e emprego. O que ele queria ser era escritor, isso o motivava a viver. Mas para agradar aos pais, faz faculdade de Direito e até faz um estágio numa empresa de um conhecido, mas logo desiste. Chuta o balde e vai viver por conta própria. Abre uma firma com o amigo, Roberto, e vai levando a vida. A saga do jovem escritor que está prestes a publicar seu primeiro livro é empolgante. Mas o que levaria Daniel a cometer homicídios?


★+
Obcecado em escrever um livro sobre o Diabo, Daniel lê e relê o único livro brasileiro que trata sobre esse tema: Grande Sertão: Veredas. Mas para ele, o livro não estava na altura de um personagem tão conhecido e temido. Ele mesmo escreveria um livro sobre o Diabo e o trataria como achava que mereceria ser tratado: chamado pelo nome. Assim como Riobaldo, Daniel faz um pacto e tudo parece conspirar ao seu favor. Com a publicação de Os diálogos do castelo, o jovem autor curitibano virou best-seller e teve a sua vida transformada da água para o vinho. Antes sem dinheiro, vivendo um dia de cada vez ao lado de Roberto, agora estava ganhando muito, sendo convidado para participar de feiras, festas e do Salão do Livro de Paris. Roberto também foi beneficiado com a súbita fama do amigo, e os dois continuaram trabalhando juntos. Acredito que a única pessoa que Daniel amava na vida, e a única que lhe compreendia e estava sempre ao seu lado, era Roberto.

É natural em artistas um período de depressão depois de uma grande criação. O vazio, meu caro Roberto, o vazio é mesmo enorme e, até certo ponto, inevitável. Isso vai passar quando nosso querido escritor voltar a escrever.

Quando já não acreditamos em mais ninguém, quando ficamos presos dentro de nós mesmos, sem nos encontrarmos, qual seria a única saída? Fazer um pacto não entraria na lista de quase ninguém, mas foi exatamente isso que aconteceu com Daniel. Deixou ser levado pelo abismo que criara dentro de si, acabou deixando as situações exteriores tomarem conta do seu ser que, para não surtar, achou alívio no mais improvável caminho. Esse livro mexeu comigo de uma maneira estranha, peculiar. Queria ter conhecido o Daniel, ter lhe dito que o caminho seria escuro, mas que sempre encontraríamos a luz. É sempre raro um personagem ser tão íntimo da gente, mas Daniel se tornou íntimo para mim. Mas a sua maneira de lidar com os problemas da vida não eram os mais adequados e sem o apoio e o carinho dos pais, que faziam de tudo para ver o filho sendo o que eles queriam que ele fosse, a morte assombrava a alma do triste escritor. Até você saber quem é tornou-se o melhor livro nacional de um autor estreante que já li nos últimos dois anos.

Não tratei aqui dos demais temas relacionados à tradução, poesia e escrita, com destaque para a polêmica que sacudiu o meio literário na década de 90, entre Bruno Tolentino e Augusto de Campos, pois não tenho tamanha bagagem cultural para me arriscar a escrever sobre.  



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