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As pupilas do senhor Reitor, de Júlio Dinis

As Pupilas do Senhor Reitor [Record, 368 pgs, R$32,90] é um clássico da literatura portuguesa. Como o título sugere, as personagens principais são as pupilas do S. Reitor. Margarida e Clara são irmãs, mas uma é o oposto da outra. Enquanto a mais velha, Guida, é reservada e dada às tristezas e melancolia da vida, a outra é alegre, brincalhona e de uma ingenuidade própria das raparigas (leia-se moças) de virtudes do século XIX. A trama gira em torno do já citado S. Reitor, as suas pupilas, o José das Dornas e seus filhos, Pedro e Daniel. Este último, que deveria ter sido padre, não fosse por sua paixão pela pequena Guida – os dois eram crianças – é o caos que agita toda a história. Mandado para a cidade do Porto, Daniel volta já médico para a aldeia onde nascera e passara a infância e causa agitação na pacata aldeia. Suas ideias modernas chocam o médico octogenário, João Semana, e a princípio há certa disputa entre o velho e conservador; o novo e o progressista. Pedro, irmão mais velho …

Outro conto sombrio dos Grimm


Os irmãos Grimm

Esqueça os contos de fadas da Disney, ou qualquer um que você tenha lido na infância. Em Outro conto sombrio dos Grimm, Adam resgata o verdadeiro sentido dos contos de fadas: assustar. Bem, não que seja muito assustador – para nós, adultos. Mas se for contada à crianças, sim. O autor tomou a liberdade de criar a partir dos contos originais, datados lá do século XIX. Jack e o pé de feijão transformou-se em Jack e Jill, e as aventuras dessas duas crianças são perigosas e (quase) mortais. 

Há gigantes rasgando a própria barriga e morrendo, cabeça aberta, duendes sendo assassinados, tentativas de homicídio (sim!), sereias confundindo garotas, pessoas sendo con-fundidas (é isso mesmo, con-fundidas; para saber o que significa o termo, só lendo o livro), sapo falante de três patas, salamandra gigante, porão feito de ossos de crianças... Bem assustador para um conto de fadas, não é mesmo?

Era comum nos séculos passados contar histórias assim. Pois ela ensinava para as crianças que o mal existia e na maioria das vezes habitava dentro das pessoas. E todo conto de fadas tinha como objetivo educar as crianças para não agir como o vilão e para ser como um herói. A mensagem desses contos – e do outro conto sombrio dos Grimm – é mostrar que sim, podemos até sofre um mal que não imaginávamos, mas que será necessário na nossa trajetória de vida – ou de herói, como queira.

João e Jill só começam toda essa aventura louca e impensável para as pessoas que não possuem imaginação por que os dois querem ser o que os outros querem que eles sejam – por isso estão con-fundido, como explica os três corvos lá pelo fim do livro. Ao querer ser quem os outros querem que eles sejam, se sacrificam por algo que não queriam. Se os dois se aceitassem como são e não ligassem para o que os outros falassem – a mãe de Jill e os amigos de João, nesse caso – não haveria duendes querendo matar os garotos, sereias querendo levar a garota para o fundo do mar. 

Na confusão de ser quem não são, as crianças correram perigo de vida – e se não fosse pela sabedoria do sapo chamado Sapo, os dois não chegariam a um final feliz. Sim, há final feliz. Mas não é como esses finais felizes em que as pessoas parecem perfeitas e que nada de ruim aconteceu.


Uma leitura fácil, divertida e um pouco sinistra – e nojenta. Adam traz o velho significado dos contos de fadas, que é formar na criança uma imaginação moral do bem e do mau. Embora haja muitas coisas que seriam inadequadas para crianças, elas deveria ouvir ou ler essa história. Crianças não querem ouvir histórias de crianças, mas histórias reais. E os contos de fadas e esse outro conto sombrio dos Grimm é uma ótima pedida. 

Comentários

  1. Adorei demais essa resenha. O livro com certeza já faz parte dos que preciso ler nesse semestre. :)


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