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Total War Rome: Destruição de Cartago, de David Gibbins


Total War Rome: Destruição de Cartago é o primeiro livro de uma série inspirada em um game. A história é narrada, em terceira pessoa, sob o ponto de vista de Fabio Petrônio Segundo, personagem fictício, amigo e guarda-costas de Cipião, “o Jovem” (185 a.C) que crescem juntos pelas ruas de Roma e anseiam pela guerra. Anos após a Segunda Guerra Púnica, que derrotou Aníbal na Batalha de Zama no Norte da África em 202 a.C, Cartago ainda é uma ameaça à Roma, que, devido ao receio do Senado, não permite que um novo exército seja treinado e muito menos que uma nova guerra seja iniciada. 

O prólogo do livro, sobre a Batalha de Pidna na Macedônia em 168 a.C é bastante promissor e deixa no leitor certa expectativa para o desenrolar da trama. Porém, ressalvo aqui, o prólogo é a única parte realmente forte desse romance. Vemos os homens guerreando e levando Roma à vitória e Fabio tanto quanto Cipião têm sua primeira experiência de guerra. Políbio, historiador e grego, famoso por sua obra Histórias, é um dos antagonistas desse romance e que tornou-se amigo íntimo de Cipião.
Ao decorrer da narrativa, a expectativa de uma guerra para aniquilar Cartago é muito grande. Praticamente em todos os capítulos vemos essa guerra se aproximando, mas nunca acontece de fato. Só no último capitulo, literalmente, um cerco sobre Cartago acontece e a tão esperada tomada da cidade é, de certa forma, frustrada — do ponto de vista de haver espada contra espada, saques e muita resistência. Acredito que o autor quis dar uma ênfase maior em Cipião Emiliano Africano, pois os relatos históricos sobre a vida desse grande homem da Antiguidade é quase nenhum. Sabe-se que Cipião, o Jovem, era um garoto de virtudes e assim se tornou homem, inspirando confiança aos romanos que o levou a tornar-se cônsul.
“Em uma questão de segundos ele saltou e a multidão arfou. Aconteceu com tal rapidez que o homem nem teve tempo de gritar. O leão cravou suas mandíbulas nas costas e o arrancou do mastro, sacudindo-o violentamente, quebrando seus ossos como se ele fosse um animal apanhado nas planícies da África.”
Contudo, apesar dessa reconstrução de personagens reais baseados em registros de historiadores da Antiguidade, como Apiano, a trama perde fôlego durante grande parte da história com suas descrições sobre como funcionava o poder político daquela época, as gentes, e o fardo que pesava sobre os ombros de Cipião, O Jovem. Eu, como leitor, ao ler a sinopse do livro acreditava ler cenas de batalhas furiosas, o furor da máquina mortífera que Roma havia criado e seu poder sobre aquelas nações que ameaçavam o futuro Império Romano, que iria conquistar o mundo. Não esquecendo que a história se passa no I e II século a.C.
Talvez se o autor não se voltasse tanto para as conspirações políticas e sobre os dilemas de Cipião, que roubou o papel do protagonista Fábio, acredito que a leitura seria mais fluida e prazerosa. É claro que os detalhes minuciosos sobre a arquitetura, sociedade, as gens e política naquela época é de um valor realmente grande, pois David Gibbins é um renomado arqueólogo que tem longa experiência em pesquisa de sítios da antiguidade ao redor do mundo, tanto terrestres como submarinos. 

Este livro é fruto de seu trabalho no sítio antigo de Cartago, em que liderou uma expedição de pesquisa das ruínas ao largo do porto. Gibbins tem mais livros escritos e que se tornaram best-seller do New York Times e Sunday Times, que ainda não foram publicados por aqui. Com nota 3.3 no Goodreads, Total War Rome: Destruição de Cartago poderia ser melhor.

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