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A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …

Quando um livro nos abandona



Eu, você e todos os leitores já passaram pela mesma situação. Lembro que, toda vez que uma leitura não me agradava, culpava o autor, a trama e tudo o que você possa imaginar por ter me decepcionado. A verdade é que nós não abandonamos um livro, como pensávamos, mas sim o livro que nos abandona. Se você vai concordar comigo? Bem, eu não sei. Mas acredito que seja isso que acontece de fato. Por quê? Vamos lá. Para se escrever um livro, atividade essa que conheço muito bem, exige muito esforço da parte do autor. Sim, escrever não é essas mil maravilhas que falam por aí. Não. Exige autodisciplina, suor, paciência, horas e horas parado em frente à tela do computador, vendo o documento em branco. Isso deixa qualquer escritor angustiado, impaciente. Paciência. Escrever é um continuo ato de paciência, ou não. Há quem não concorde. Mas por que estou falando isso? Para explicar que o livro que aquele escritor escreveu, ou ainda irá escrever, é destinado para um tipo de leitor todo especial. Uns escrevem para adolescentes melancólicos, outros para jovens que gostam de aventura, outros para as garotas que gostam de um romance água-com-açúcar e etc.

E é por simplesmente entender isso que cheguei a essa conclusão. O livro me abandona quando percebe que eu, o leitor que o está lendo, não é o alvo da sua história. E aí achamos chato, nonsense, infantil, tosco e vários outros adjetivos negativos. Assim como um livro nos escolhe para lê-lo, e ganha nas primeiras páginas nossa total atenção. Quando um livro nos abandona, desista. Não vá em frente. Feche-o, guarde-o, ou doe-o. Possa ser que ele lhe escolha meses, anos ou décadas depois? Pode. Claro. Conforme o tempo passa, vamos alargando nosso horizonte e a possibilidade de encarar novos mundos. Aí aquele livro que te abandonou anos atrás, aquele que você falou mal do autor, fez críticas ácidas, te escolhe e não há como fugir. Mas isso não acontece com todos os tipos de livros, por exemplo. Um livro sobre uma funcionária que se torna uma escrava sexual do seu chefe não irá te escolher após a primeira não escolha. Mas aí posso estar fazendo aquilo que expliquei nas primeiras linhas. A autora quando o escreveu, não pensou num leitor que acha livros hot uma baboseira, que gosta de Dostoiévski, de ler não-ficção, romance-drama e etc. É claro que ela não pensou em mim, como leitor, quando escreveu sua história. Só estou dando um exemplo objetivo, não que eu tenha feito algum esforço para lê-lo. Ela pensou no leitor que gosta de aventuras sexuais, ou de ler coisas do tipo. Desculpem, mas realmente não imagino como descrever esse tipo de leitor — não quero ofender, muito menos rebaixar alguém por seus gostos literários. Mas para não ser injusto, e parcial, há livros que costumo ler, como romances (por favor, leia romance como um gênero em geral), fantasia e não-ficção que não é um tipo de história que me agrada. Não é o tipo de livro que me escolheu para ser seu leitor. Por exemplo, Machado de Assis. Não consigo ler suas obras, suas obras ainda não me escolheram. Possa ser que em alguns anos venha a lê-los? Pode. Aí ele terá me escolhido e o lerei com prazer. Mas nesse momento, abril de 2016, seus livros não me escolheram. Fazer o que, paciência!

Para finalizar, ainda há aqueles livros que nos escolhem mas que, mesmo assim, deixa-nos decepcionados. São aqueles livros que dá para levar a leitura adiante, há certo prazer em lê-lo, mas que acaba pregando uma peça na gente. É o tipo de livro traiçoeiro, meu amigo. 

Comentários

  1. Bom, analisando suas palavras, me tirou um peso enorme das costa, pois eu imaginava estar abandonado os livros que não conseguia prosseguir com a leitura. Um deles, posso até receber críticas por isso, foi O Pequeno Príncipe. Fui com tanta sede sobre o livro que me decepcionei, ouvi tanta gente falar bem, jovens, á não mais crianças e adultos, mas por fim, não passei da segunda página. Achei bobo demais! Agora um livro que me envolveu completamente foi A Cabana e todos de Lu Mounier.

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    Respostas
    1. Olá, Fabricio! A Cabana foi um dos melhores livros que já li. Lu Mounier eu não conheço, mas é basicamente isso: é o livro que nos abandona, meu caro. Abraços!

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