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Múltipla Escolha, de Alejandro Zambra

O começo do livro foi bem nada com nada, me senti perdido. Qual o leitor que está acostumado com um livro, que conta diversas histórias sobre os mais variados assuntos, no formato de questões de vestibulares? Por isso o título “Múltipla Escolha”. É um chamado para sair do óbvio e forçar a mente a tirar significado de algo, primeiramente, sem sentido. Algumas páginas adiante já comecei a entrar na ideia do autor e acabei adorando o livro. Frases pequenas, com múltiplas escolhas para substituir os espaços em brancos, faz invocar logo aqueles tempos de escola. Acostumados a obedecer e ter que marcar alguma alternativa, percebermos o quanto fomos treinados e não educados, como o autor enfatiza. Aliás, é um dos assuntos que mais me marcou e proporcionou pensamentos filosóficos sobre o nosso sistema educacional, onde somos treinados a dar uma resposta correta, com medo de que não seja a correta, mesmo que outra alternativa faça mais sentido. 
Por que devemos adivinhar o que o professor/educa…

Destaque nas listas de melhores livros de 2015, “Uma vida pequena” chega ao Brasil‏

"Um testemunho do sofrimento humano levado aos limites, construído em detalhe extraordinário por uma prosa fascinante. Por meio de detalhes perspicazes e sua avaliação década a década das vidas de seus personagens, Yanagihara desenhou um profundo estudo de personagens que inspira ao mesmo tempo em que devasta." Washington Post

"Primoroso. Não é exagero chamar este livro de obra-prima - e talvez este substantivo ainda seja muito pequeno para ele." San Francisco Chronicle


Segundo romance da escritora americana Hanya Yanagihara, “Uma vida pequena” acompanha, por décadas, as trajetórias de quatro amigos, desde que concluem os estudos em uma pequena faculdade de Massachusetts e mudam-se juntos para Nova York. O relato – profundo, perturbador e emocionante – garantiu ao livro lugar em praticamente todas as listas de melhores obras de 2015 na imprensa estrangeira, além do posto de finalista de dois dos principais prêmios literários do mundo: o Man Booker Prize e o National Book Award.
A trama é centrada na amizade de quatro homens: Willem, um aspirante a ator muito bonito e generoso, mas com problemas de autoestima; JB, um pintor descolado que pode ser um tanto cruel e manipulador; Malcolm, um arquiteto frustrado e, de certa forma, oprimido pela fortuna dos pais; e Jude, um advogado brilhante e enigmático. Este último funciona como espécie de elo entre os outros protagonistas, além de dono de um terrível trauma de infância, atormentado pela angústia e com dificuldades de seguir em frente – sentimentos nos quais Hanya mergulha o leitor.
Muito mais do que uma simples história de formação de seus personagens, “Uma vida pequena” aborda temas como raça, sexualidade, amizade, amor, abuso sexual e drogas de forma profunda, mas ao mesmo tempo crua e sem a preocupação de poupar o leitor. O sofrimento é da ordem do cotidiano, e a redenção nem sempre é possível. Com uma prosa muito bem construída, a autora fala sobre dor, memória e tragédia em quase 800 páginas de texto, mas também faz uma bela observação sobre a amizade entre homens. Yanagihara falou sobre essa escolha em entrevistas na imprensa estrangeira:
“Meu melhor amigo – que é um homem de tremenda profundidade emocional e inteligência – discorda de mim neste ponto. Mas acho que homens, quase uniformemente, não importa sua raça, cultura, religião ou sexualidade, são equipados com uma ‘caixa de ferramentas emocional’ muito mais limitada. Talvez não seja endêmico. Mas não conheço nenhuma sociedade que encoraje os homens a colocar os sentimentos em palavras, e muito menos a expressar esses sentimentos. (…) Como escritora, é uma dádiva – e um desafio interessante – escrever sobre um grupo de pessoas limitado desta maneira (e que por acaso é metade da população mundial). Em “Uma vida pequena”, uma das coisas que mais gostei de explorar na amizade desses homens, que é muito próxima, é que ela também é construída num desejo mútuo de não conhecer realmente muito um do outro. Não digo que é algo bom ou ruim – você não precisa confessar tudo a um amigo para ser próximo dele – mas acho que a amizade entre duas mulheres é mais confessional”.

TRECHO: 
“Ele aparentemente escolhera a faculdade de arquitetura pelo pior motivo possível: porque amava prédios. Aquela fora uma paixão respeitável, e, quando criança, seus pais o presenteavam com excursões por casas e monumentos toda vez que viajavam. Mesmo quando era um rapazinho, Malcolm sempre desenhava prédios imaginários, construía estruturas imaginárias: eram um conforto e um refúgio para ele – tudo aquilo que não conseguia articular, tudo que era incapaz de decidir, podia, aparentemente, se materializar num prédio.E de uma maneira fundamental, aquilo era o que mais o envergonhava: não seu pouco entendimento do sexo, não suas tendências raciais desleais, não sua incapacidade de se separar dos pais, ganhar seu próprio dinheiro ou se comportar como uma criatura autônoma. Seu maior problema era que, quando trabalhava ao lado de seus colegas à noite e o grupo se enfurnava em seus próprios sonhos e ambições, quando todos desenhavam e planejavam suas construções improváveis, ele ficava ali sem fazer nada. Perdera a capacidade de imaginar qualquer coisa. Assim, todas as noites, enquanto os outros criavam, ele copiava: desenhava os prédios que vira em suas viagens, prédios que outras pessoas haviam sonhado e construído, prédios onde vivera e pelos quais passara. Vez após vez, fazia o que já fora feito, nem mesmo se dando ao trabalho de melhorá-los, mas simplesmente imitando-os. Estava com 28 anos; sua imaginação o abandonara; nada mais era que um copiador.”
  
Hanya Yanagihara trabalhou como jornalista de viagens antes de escrever seu primeiro romance, o elogiado “The people in trees”. “Uma vida pequena” é seu segundo romance. Mora em Nova York.

Comentários

  1. Esse livro é fascinante, maravilhoso e suas 781 páginas são fácil, porém impactantemente devoradas.

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    1. Imagino que seja mesmo, ele recebeu muitas críticas positivas lá fora.

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