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A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …

A Poeira da Glória, de Martim Vasques da Cunha


O livrou do qual irei escrever um pouco é, digamos assim, difícil de escrever sobre. Por quê? A Poeira da Glória é um gigante de mais de seiscentas páginas em que o autor, Martim Vasques da Cunha, analisa nossa literatura de forma crítica. São vários ensaios reunidos e que deu como resultado uma fonte de pesquisa para todos aqueles que se interessam pela literatura brasileira. Mas, o livro não é qualquer livro que tenta explicar e analisar os autores do nosso cânone literário. O autor vai além, e toca na ferida de muita gente. Desmascara, posso dizer assim, a intenção de um Jorge Amado, Sérgio Buarque de Holanda, Graciliano Ramos, entre outros. É um daqueles livros que você não se dá conta do que está lendo até parar um pouco, tomar um fôlego, e retornar à leitura com mais calma e atenção. Pedi esse livro por causa dos excelentes elogios que o autor recebeu de escritores, filósofos, professores e pensadores que sigo nas redes sociais. Estava querendo ler o tal livro que o Francisco Razzo, Jonas Madureira, Rodrigo Gurgel tanto falavam. Qual foi a minha surpresa quando a editora Record me manda a lista de livros para escolher alguns para ser resenhado. Claro que não hesitei, A Poeira foi uma das minhas escolhas — que me consumiu meses e meses até concluir a leitura. Foram quase quatro meses para concluí-lo, e quando concluí, meu coração e intelecto agradecia.

Mas do que se trata o livro? Bem, eu podia só dizer que é uma história da literatura brasileira, mas é muito mais que isso. É uma análise, uma análise bem crítica mesmo, que não poupa nem Machado de Assis, que, segundo o autor, é um dissimulado. Cunha nos explica o que levou Assis a ser um dissimulado para poder escrever suas obras mais célebres. Por todo o livro, entre todos os autores que são objetos do estudo de Martim, vemos que a literatura para eles era uma ferramenta política. E também a busca por uma identidade nacional que os leva a um desespero e fuga da realidade, fazem com que se atenham ao Belo e se esqueçam do Verdadeiro.

Temos uma literatura fraca moralmente, mas esteticamente bela. Mas em meio desse deserto, Cecília Meireles, Otto Lara Resende, Nelson Rodrigues e Joaquim Nabuco são oásis. Eles não se deixaram se corromper na busca pelo poder, e não dissimulavam seus sentimentos. Encaravam a morte, coisa que os demais negavam com veemência. A Poeira é um livro que, para entender de fato o que está escrito nas páginas, que são de uma riqueza absurda, é preciso reler, e reler, e reler. Mas esse livro foi uma dádiva, que me ensinou a não trair a minha essência em troca de algo abstrato, a não abdicar da solidão e do autoconhecimento que ela propõem, a não trair os valores em benefício próprio ou até mesmo vender a alma ao diabo — o que vários autores gigantes da nossa literatura fizeram, mas para você poder entender o que é “vender a alma ao diabo” precisará comprar o livro e ler.

Em um país que esmigalha a vocação de cada um, o Belo se revela como seu avesso e então temos dentro da nossa própria pele aquela sensação terrível que Clara dos Anjos teve e transmitiu à sua mãe ao perceber a sua fragilidade diante da descoberta de que nossos sonhos não passam de poeira: “Nós não somos nada nesta vida.” Será?


Perdoem esse leigo que vos escreveu, mas espero que tenham entendido um pouco sobre esse livro maravilhoso. 

Comentários

  1. Obrigado pela leitura atenta do meu livro! Abraços, MVC.

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    Respostas
    1. Eu que devo agradecer por tê-lo escrito. Abração!

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