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As pupilas do senhor Reitor, de Júlio Dinis

As Pupilas do Senhor Reitor [Record, 368 pgs, R$32,90] é um clássico da literatura portuguesa. Como o título sugere, as personagens principais são as pupilas do S. Reitor. Margarida e Clara são irmãs, mas uma é o oposto da outra. Enquanto a mais velha, Guida, é reservada e dada às tristezas e melancolia da vida, a outra é alegre, brincalhona e de uma ingenuidade própria das raparigas (leia-se moças) de virtudes do século XIX. A trama gira em torno do já citado S. Reitor, as suas pupilas, o José das Dornas e seus filhos, Pedro e Daniel. Este último, que deveria ter sido padre, não fosse por sua paixão pela pequena Guida – os dois eram crianças – é o caos que agita toda a história. Mandado para a cidade do Porto, Daniel volta já médico para a aldeia onde nascera e passara a infância e causa agitação na pacata aldeia. Suas ideias modernas chocam o médico octogenário, João Semana, e a princípio há certa disputa entre o velho e conservador; o novo e o progressista. Pedro, irmão mais velho …

A história do homem e da empresa



Com a ascensão de Hitler ao poder e o antissemitismo se espalhando na Alemanha, a família Stern são obrigados a fugir do seu amado país. Hans Stern, então ainda adolescente, chega ao Brasil com a família em 1939 e se deslumbra com o que vê. Acostumado com o inverno, o jovem judeu se depara com uma cidade tropical, cheia de verde e banhada pelo mar. Sua adaptação à capital brasileira, o Rio de Janeiro, ocorre sem grandes problemas. Como saíram da Alemanha e deixaram a empresa da família e tudo para trás, agora teriam que arrumar algum meio de ganharem dinheiro na nova cidade. Para a mãe e o avô de Hans, a adaptação à nova realidade não estava acontecendo. Os dois não se conformavam em ter de deixar tudo para trás e vir morar em um país totalmente desconhecido com pessoas desconhecidas. Sem falar nos hábitos estranhos dos brasileiros. Para Hans e o pai, era um recomeço e estavam se dando bem na nova cidade. Como havia deixado vários amigos para trás — alguns ainda estavam na Alemanha, outros haviam saído de lá — Hans escrevia cartas contando como era a nova cidade não só para os amigos, mas também para os familiares que havia ficado. E sua forma de ver o Rio de Janeiro encantava a todos, que pediam para escrever mais cartas.

“Primeiramente, algo sobre minha nova terra. Imaginem uma grande baía. Tão grande que todas as frotas do mundo entrariam nela confortavelmente. Esta baía grande é dividida em diversas baías menores e estas, por sua vez, em menores ainda. Tudo isto permeado por grandes montanhas e rochedos, em parte com florestas, em parte completamente descalvados. A cidade maravilhosa do mundo encontra-se entre essas baías e essas montanhas. [...]” (pg. 34)

Hans Stern, ainda jovem.
A admiração de Hans pela cidade maravilhosa do mundo perduraria até os últimos dias da sua vida. Trabalhando na mercearia do tio, e logo depois em uma casa de selos, Hans deixa o primeiro para se dedicar ao segundo. Mas, como se apaixona pela namorada do dono da casa de selos, Hans é demitido. Quando completou 18 anos, o pai, que Hans amava muito, ainda estava trabalhando na Parnaíba. Como não tinha condições para comprar um presente para o filho, ele lhe mandou uma carta com alguns conselhos. O pai aconselha ao filho de que a vida é bela, e cita Goethe: “A vida, seja como for, é bela.” Explica ao filho que não importa o que aconteça, pois a vida sempre continuará sendo bela. A carta foi guardada com muito carinho por Hans. A sua mãe, que não adaptou-se ainda ao Brasil, tinha regulares crises nervosas que se agravaram mais com a ausência do marido. Vendo que a mãe piorava a cada dia, Hans implorava ao pai para que voltasse para o Rio. Depois de muito insistir, o pai voltou e as coisas ficaram calmas.

Depois de trabalhar em uma empresa de exportação de cristais de rocha e de pedras de cor, a Cristab S.A., Hans decide abrir sua própria empresa de exportação. Aprendera na Cristab a amar as pedras raras e percebeu que esse seria um bom negócio. Nascia a H. Stern, a joalheria brasileira que ganharia o mundo. Pai e filho constrói uma marca forte e a consolida no mercado exterior com suas joias exclusivas de pedras brasileiras, uma novidade.

Logo nos primeiros capítulos, Dieguez foca na trajetória de Hans fugindo com a família da Alemanha até a criação da H. Stern, mas lá pela metade do livro, quando o filho Roberto assume a área de criação, o foco fica sendo em como Roberto elevou a H. Stern em joalheria de luxo, e como atraiu as celebridades de Hollywood e personalidades da moda. 


Não só uma biografia, mas H Stern – A história do homem e da empresa é um aprendizado para qualquer um que têm algum empreendimento ou pensa em ter. A maneira como Hans comanda a empresa, como trata os funcionários, a paixão pelo trabalho é uma fonte inspiradora. Nesse livro conhecemos toda a trajetória do homem e da empresa; seus métodos, suas vitórias, seus fracassos, aprendizados, métodos e etc. Conhecemos as entranhas da H. Stern e percebemos a genialidade não só de Hans, mas de seus filhos, que posteriormente conduzem a empresa. Uma edição luxuosa e ilustrada. Não é apenas uma biografia ou um perfil jornalístico, mas também um livro de negócios. Com um texto enxuto e que vai direto ao ponto, deixo aqui minha admiração pela Consuelo Dieguez. 

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