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A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …

Só o tempo dirá, de Jeffrey Archer

Jeffrey Archer. Fonte: Google Images
Primeiro livro das Crônicas de Clifton, Só o Tempo Dirá conta a história de Harry Clifton, sua dura infância em Bristol até a sua juventude, quando segredos serão revelados e a sua vida tomará um rumo inesperado. Emocionante e surpreendente, Jeffrey Archer faz com que o leitor devore as páginas vorazmente, e o instiga a saber o que está escrito no próximo capítulo, de maneira tal que em um só dia o leitor poderá concluir a leitura. O livro inicia com as memórias de Maisie Clifton, que conta sobre sua vida até conhecer Arthur Clifton e se casar com ele, não fosse uma aventura com um homem que a fez perder a virgindade, a vida dos Clifton seria totalmente diferente. Maise dá a luz a Harry, e poucos meses depois o pai do menino desaparece misteriosamente, o que deixa a mulher com várias dúvidas sobre o paradeiro do esposo. Depois, acompanhamos a narrativa de Harry Clifton e suas aventuras na infância, onde conhece o Velho Jack, homem misterioso e que só revela sua verdadeira identidade mais à frente; entra para o coro da Holy Nativity e a sua voz de anjo encanta a todos, e por ter uma voz tão bela, acaba ganhando uma oportunidade de concorrer a uma bolsa de estudos na St. Bede’s, um colégio tradicional de Bristol e que fornece coralistas para St. Mary Redcliffe.

Na medida em que a narrativa flui, o leitor se apega aos personagens, que são bem construídos e memoráveis. Harry consegue a bolsa de estudos e em seu primeiro dia na St. Bede’s faz amizade com Deakins e Giles, este último, o primogênito de uma das famílias mais ricas de Bristol. Harry e Giles se tornam amigos íntimos, uma amizade que rompe as barreiras sociais. No colégio, todos têm preconceitos com bolsistas e pobres, e mais ainda com o filho de um estivador. Em seu aniversário, Giles convida Harry e Deakins para ir à mansão da família Barrington comemorar mais um ano de vida juntos. A mão de Giles é uma mulher linda e muito simpática, ao contrário do pai do garoto, Hugo Barrington, que trata Harry com indiferença. Mas o motivo para tal indiferença é uma dúvida que Hugo tem sobre o garoto ser mais que um amigo de Giles.

Maisie é uma mulher batalhadora e uma mãe que faz qualquer sacrifício para que a vida do filho seja melhor que a sua. Não é nada fácil manter um filho em um colégio como St. Bede’s, mesmo tendo alguns custos pagos pela bolsa, Maisie precisa se virar para que possa pagar alguns custos extras. Seu amor pelo filho faz com que ela esconda um segredo que arrasará vidas, e por isso toda vez que o filho pergunta sobre o pai, ela responde que ele morreu durante a guerra. Os ingleses estão vivendo com uma possível ameaça de outra guerra “que acabaria com todas as guerras”.  Bristol é uma cidade portuária, e aqueles que não têm muito estudo acabam indo trabalhar nas docas, onde a família Barrington é dona. Maisie trabalha em uma casa de chás, e por ser muito dedicada e fazer com que os negócios prosperem para a sua patroa, acaba recebendo uma oferta de emprego no Hotel Royal, que acaba aceitando e fazendo prosperar o até então mal frequentado salão de chá do hotel. O autor dá uma pequena aula de empreendedorismo ao escrever as ansiedades e preocupações, além das precauções de se ter um negócio, quando Maisie decide ter a sua própria casa de chás.

Harry se apaixona por Emma Barrington, mas o futuro fará com que o jovem Clifton faça uma decisão que porá em risco seu amor pela jovem. A amizade de Harry com Giles é descrita de uma forma muito bonita, e o autor acaba resgatando o real sentido da amizade que anda ultimamente tão perdido. E por falar em valores, a família, a honestidade, educação e o casamento também são retratados aqui.



A narrativa é intercalada pelos principais personagens, o que dá uma visão mais ampla para tudo o que acontece na trama. Realmente fiquei muito surpreso ao ver como o livro foi estruturado. Nas primeiras páginas há a genealogia das famílias Barrington e Clifton. Questões como desonestidade, o papel da mulher na sociedade inglesa dos anos 1930-40, desigualdade social — que não afeta somente aos negros —, incesto, amizade, lealdade e amor, fazem com que Só o Tempo Dirá seja brilhante. Com toda a certeza os leitores irão se deliciar com essa história, e assim como eu, vão ficar ansiosos para o próximo volume das crônicas.

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