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As pupilas do senhor Reitor, de Júlio Dinis

As Pupilas do Senhor Reitor [Record, 368 pgs, R$32,90] é um clássico da literatura portuguesa. Como o título sugere, as personagens principais são as pupilas do S. Reitor. Margarida e Clara são irmãs, mas uma é o oposto da outra. Enquanto a mais velha, Guida, é reservada e dada às tristezas e melancolia da vida, a outra é alegre, brincalhona e de uma ingenuidade própria das raparigas (leia-se moças) de virtudes do século XIX. A trama gira em torno do já citado S. Reitor, as suas pupilas, o José das Dornas e seus filhos, Pedro e Daniel. Este último, que deveria ter sido padre, não fosse por sua paixão pela pequena Guida – os dois eram crianças – é o caos que agita toda a história. Mandado para a cidade do Porto, Daniel volta já médico para a aldeia onde nascera e passara a infância e causa agitação na pacata aldeia. Suas ideias modernas chocam o médico octogenário, João Semana, e a princípio há certa disputa entre o velho e conservador; o novo e o progressista. Pedro, irmão mais velho …

20 contos de Truman Capote


Conheci Truman Capote em minhas pesquisas sobre o jornalismo literário. O aclamado livro “A Sangue Frio”, um romance-reportagem onde Truman faz uma investigação aprofundada sobre o assassinato de quatro membros de uma família, no Oeste do Kansas. Pensando em me iniciar nas obras do Capote, decidi ler primeiro “20 Contos de Truman Capote”, pela Companhia das Letras. Comecei a ler o ano passado — sim, até hoje me pergunto o porquê levei todo esse tempo — e só o concluí esse fim de semana. Os primeiros contos são sobre a alta sociedade americana, que Capote sempre reverenciou e a mesma retribuiu com adoração, e os últimos são um retrato de sua infância, que podemos notar traços nostálgicos sobre um período duro, mas feliz, da vida de Capote. Surpreendido pela narrativa e pela sensibilidade de observação, os contos são maravilhosos. 

“O Jarro de Prata” conta a história de um menino pobre que, entrando em um estabelecimento, viu um jarro cheio de pratas, e se dispôs a adivinhar quantas moedas tinha lá dentro. Dia após dia, o menino ia à drugstore para observar o jarro de prata. No dia em que anunciou ao dono do estabelecimento que já sabia quantas moedas tinha ali dentro, um evento foi marcado e todos da cidade estavam presentes para saber se o garoto acertaria o número exato de moedas que havia ali dentro do jarro. O fim do conto é surpreendente. Já “Miriam”, conto que ficou muito conhecido na época, é sobre uma mulher que certa noite abre a porta para uma garotinha, que também se chamava Miriam. Nesse conto, podemos nos maravilhar com a genialidade de Capote para o gênero horror. Mas, o que me fez chorar, foi “Memória de Natal”. Para mim, esse é o melhor dentre os vinte. Em seguida nomearia “Miriam”, “Um vison próprio”, “A lenda do pregador”, “Crianças em seus aniversários” e etc.

A gente acha que pode escrever sobre aqueles de quem admiramos, eu pensava assim. Mas não é verdade. Aqui, escrevendo essa resenha, não sei muito bem como falar sobre esse livro. Sabe quando a gente não sabe falar, mas só sentir? E quanto mais falamos, mas não dissemos nada? Talvez a resenha de hoje esteja assim. Os contos, como já havia dito anteriormente, ressaltam o talento inconfundível de Capote, e o seu poder de observação. Após ler 20 Contos, é hora de partir para outras leituras do autor. 

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