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A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …

20 contos de Truman Capote


Conheci Truman Capote em minhas pesquisas sobre o jornalismo literário. O aclamado livro “A Sangue Frio”, um romance-reportagem onde Truman faz uma investigação aprofundada sobre o assassinato de quatro membros de uma família, no Oeste do Kansas. Pensando em me iniciar nas obras do Capote, decidi ler primeiro “20 Contos de Truman Capote”, pela Companhia das Letras. Comecei a ler o ano passado — sim, até hoje me pergunto o porquê levei todo esse tempo — e só o concluí esse fim de semana. Os primeiros contos são sobre a alta sociedade americana, que Capote sempre reverenciou e a mesma retribuiu com adoração, e os últimos são um retrato de sua infância, que podemos notar traços nostálgicos sobre um período duro, mas feliz, da vida de Capote. Surpreendido pela narrativa e pela sensibilidade de observação, os contos são maravilhosos. 

“O Jarro de Prata” conta a história de um menino pobre que, entrando em um estabelecimento, viu um jarro cheio de pratas, e se dispôs a adivinhar quantas moedas tinha lá dentro. Dia após dia, o menino ia à drugstore para observar o jarro de prata. No dia em que anunciou ao dono do estabelecimento que já sabia quantas moedas tinha ali dentro, um evento foi marcado e todos da cidade estavam presentes para saber se o garoto acertaria o número exato de moedas que havia ali dentro do jarro. O fim do conto é surpreendente. Já “Miriam”, conto que ficou muito conhecido na época, é sobre uma mulher que certa noite abre a porta para uma garotinha, que também se chamava Miriam. Nesse conto, podemos nos maravilhar com a genialidade de Capote para o gênero horror. Mas, o que me fez chorar, foi “Memória de Natal”. Para mim, esse é o melhor dentre os vinte. Em seguida nomearia “Miriam”, “Um vison próprio”, “A lenda do pregador”, “Crianças em seus aniversários” e etc.

A gente acha que pode escrever sobre aqueles de quem admiramos, eu pensava assim. Mas não é verdade. Aqui, escrevendo essa resenha, não sei muito bem como falar sobre esse livro. Sabe quando a gente não sabe falar, mas só sentir? E quanto mais falamos, mas não dissemos nada? Talvez a resenha de hoje esteja assim. Os contos, como já havia dito anteriormente, ressaltam o talento inconfundível de Capote, e o seu poder de observação. Após ler 20 Contos, é hora de partir para outras leituras do autor. 

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