Pular para o conteúdo principal

As pupilas do senhor Reitor, de Júlio Dinis

As Pupilas do Senhor Reitor [Record, 368 pgs, R$32,90] é um clássico da literatura portuguesa. Como o título sugere, as personagens principais são as pupilas do S. Reitor. Margarida e Clara são irmãs, mas uma é o oposto da outra. Enquanto a mais velha, Guida, é reservada e dada às tristezas e melancolia da vida, a outra é alegre, brincalhona e de uma ingenuidade própria das raparigas (leia-se moças) de virtudes do século XIX. A trama gira em torno do já citado S. Reitor, as suas pupilas, o José das Dornas e seus filhos, Pedro e Daniel. Este último, que deveria ter sido padre, não fosse por sua paixão pela pequena Guida – os dois eram crianças – é o caos que agita toda a história. Mandado para a cidade do Porto, Daniel volta já médico para a aldeia onde nascera e passara a infância e causa agitação na pacata aldeia. Suas ideias modernas chocam o médico octogenário, João Semana, e a princípio há certa disputa entre o velho e conservador; o novo e o progressista. Pedro, irmão mais velho …

O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald



Narrado por Nick Carraway, um homem que ver as coisas acontecerem e nos conta tudo sobre o seu ponto de vista, O Grande Gatsby foi o segundo romance de F. Scott Fitzgerald. O romance retrata a sociedade americana nos loucos e prósperos anos 20. Jay Gatsby, um personagem que é nos apresentado envolto de grandes mistérios, é um homem envolvido em negócios que permite uma vida luxuosa. Logo quando Nick se mudou para Long Island, ele percebeu que o seu vizinho dava grandes festas. A mansão de Gatsby era enorme, e com todas as luzes, que parecia uma grande árvore de natal, as festas de Jay Gatsby era atração para todos. Depois de alguns dias morando em West Egg, seu vizinho o convidara para ir a uma de suas festas. Nick vai e fica meio que perdido e tenta encontrar Gatsby para agradecer ao convite.

“Assim que cheguei fiz uma tentativa para encontrar meu anfitrião, mas duas ou três pessoas às quais perguntei sobre seu paradeiro me olharam de um jeito tão espantado e negaram com veemência qualquer conhecimento dos seus movimentos que me esquivei na direção da mesa de coquetéis — o único lugar no jardim onde um homem sozinho podia ficar sem parecer perdido ou solitário.” (p.61)

Ouve comentários sobre os negócios dele, que na verdade são pistas do que realmente o grande Gatsby faz para ter toda aquela fortuna. Uns acham que ele meche com contrabando, outros pensam que ele mata pessoas.  As pessoas não eram convidadas para a festa de Gatsby, simplesmente iam. Já era rotina os carros chegarem a Long Island no fim de semana e ir direto para a festa do homem misterioso. Ninguém fazia questão de encontrá-lo e em troca, tudo o que Jay queria era o silêncio sobre a sua vida.


Do outro lado da baía, morava Daisy e Tom Buchanan. Daisy era prima de Nick, que era uma antiga paixão de Gatsby. Todos os personagens são intensos e interessantes, alguns com certa excentricidade, no caso de Daisy. Os relatos de Nick em sua passagem por Long Island e dos fatos póstumos são realmente incríveis. A escrita de Fitzgerald é leve e vívida. É impossível imaginar que, logo quando foi lançado, “The Great Gatsby” foi um fracasso de vendas e críticas. Parte desse fracasso se deu por causa dos erros de edição e a outra parte se dava pela história em si. Scott colocou no papel muitos dos ricos daquela época e suas loucuras. Uma grande história sobre amor e tragédia. Nick, que às vezes tinha aversão a Gatsby, por saber que ele estava mentindo sobre o seu passado, o descreveu dessa forma:

“Sorriu com um ar de compreensão — muito mais do que compreensão. Era um daqueles sorrisos raros com uma qualidade de eterna reafirmação, que encontramos umas quatro ou cinco vezes na vida. Ele se defrontava — ou parecia se defrontar — com todo o mundo externo por um instante e então se concentrava em você com uma parcialidade irresistível a seu favor. Ele o entendia na medida em que você desejava ser entendido, acreditava em você como você desejaria acreditar em si mesmo e lhe garantia que guardava de você a impressão que, à melhor maneira, você esperava transmitir.” (p.67-68)
Como o The Guardian disse: “Há dezenas de romances que podemos considerar ‘a grande história de amor do nosso tempo’. Mas O grande Gatsby é o único com esta definição verdadeiramente acertada.” A paixão de Gatsby por Daisy, e a sua perseverança de um dia poder encontrá-la novamente, é o retrato de uma grande paixão que todos nós um dia já tivemos ou iremos ter.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Leia o conto "O Gato Preto", de Edgar Allan Poe

Não espero nem peço que acreditem nesta narrativa ao mesmo tempo estranha e despretensiosa que estou a ponto de escrever. Seria realmente doido se esperasse, neste caso em que até mesmo meus sentidos rejeitaram a própria evidência. Todavia, não sou louco e certamente não sonhei o que vou narrar. Mas amanhã morrerei e quero hoje aliviar minha alma. Meu propósito imediato é o de colocar diante do mundo, simplesmente, sucintamente e sem comentários, uma série de eventos nada mais do que domésticos. Através de suas consequências, esses acontecimentos me terrificaram, torturaram e destruíram. Entretanto, não tentarei explicá- los nem justificá-los. Para mim significaram apenas Horror, para muitos parecerão menos terríveis do que góticos ou grotescos. Mais tarde, talvez, algum intelecto surgirá para reduzir minhas fantasmagorias a lugares-comuns – alguma inteligência mais calma, mais lógica, muito menos excitável que a minha; e esta perceberá, nas circunstâncias que descrevo com espanto, na…

O livro sobre nada | Poema de Manoel de Barros

O livro sobre nada

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu que…

Ostra feliz não faz pérola, de Rubem Alves

Bem, vou começar falando o quanto eu aprendi lendo esse livro. Quando falo livro, acho que estou me referindo a mais um livro qualquer, o que não é o caso de Ostra feliz não faz pérola. Rubem Alves é simplesmente incrível, e seus textos que fazem parte do livro são maravilhosos. Claro que tem alguns ao qual eu não concorde muito, mas sobre isso não tenho nada a acrescentar, porque continua sendo maravilhoso de todo o jeito. Acho que vocês estão aí pensando que estou me referindo muito bem ao livro, e que isso cheire a alguma forma de merchan. Mas não caros leitores, quem teve o prazer de ler Rubem Alves sabe do que estou escrevendo.  Os textos falam sobre sofrimento que produz a beleza, da morte que conduz à vida, do envelhecimento que traz a juventude não vivida, do sagrado que está em todos os lugares. São doses de sabedorias que quero tomar sempre. O Rubem fala muito em suas crônicas de Nietzsche, Bach, Cecília e tantos outros ao qual ele admirava. Ostra feliz não faz pérola é uma gr…