Pular para o conteúdo principal

Múltipla Escolha, de Alejandro Zambra

O começo do livro foi bem nada com nada, me senti perdido. Qual o leitor que está acostumado com um livro, que conta diversas histórias sobre os mais variados assuntos, no formato de questões de vestibulares? Por isso o título “Múltipla Escolha”. É um chamado para sair do óbvio e forçar a mente a tirar significado de algo, primeiramente, sem sentido. Algumas páginas adiante já comecei a entrar na ideia do autor e acabei adorando o livro. Frases pequenas, com múltiplas escolhas para substituir os espaços em brancos, faz invocar logo aqueles tempos de escola. Acostumados a obedecer e ter que marcar alguma alternativa, percebermos o quanto fomos treinados e não educados, como o autor enfatiza. Aliás, é um dos assuntos que mais me marcou e proporcionou pensamentos filosóficos sobre o nosso sistema educacional, onde somos treinados a dar uma resposta correta, com medo de que não seja a correta, mesmo que outra alternativa faça mais sentido. 
Por que devemos adivinhar o que o professor/educa…

5 Considerações sobre Sherlock | Primeira Temporada

 
O Dr. John Watson precisa de um lugar para morar em Londres. Ele é apresentado ao detetive Sherlock Holmes e os dois acabam desenvolvendo uma parceria intrigante, na qual a dupla vagará pela capital inglesa solucionando assassinatos e outros crimes brutais. Tudo isso em pleno século XXI.

1. Sherlock, para quem ama os livros do Sir Arthur Conan Doyle, é uma ótima série. O primeiro episódio, “Um estudo em rosa”, é uma adaptação de “Um estudo em Vermelho”, o primeiro livro do detetive Sherlock Holmes. Como no livro, a série traz toda aquela atmosfera de crimes não solucionados, e quando o governo não consegue resolver o caso de uma mulher morta em um prédio, toda vestida de rosa, eles chamam Sherlock Holmes. Benedict Cumberbatch atua muito bem, e não trai o personagem descrito no livro. Inteligente, excêntrico, bem-humorado e muito competente. Como no livro, ele conhece o Dr. Watson (Martin Freeman, aquele que fez uns filmes como um hobbit), que vira o seu companheiro inseparável. A dupla funcionou muito bem, apesar do temperamento dos dois serem completamente opostos, eles juntos solucionam o caso. A série foi criada por Steven Moffat e Mark Gatiss, que fizeram um belíssimo trabalho.

2. A primeira temporada só tem três episódios, isso mesmo, somente três. Mas, quantidade não é qualidade, não é mesmo? Cada episódio dura mais de uma hora, e gostei bastante desse formato. Com um tempo de duração maior, os episódios conseguem explanar todos os pontos e questionamentos que envolvem aquele caso em questão, e apesar disso, não é cansativo. Até o fim do "ep", nos prendemos a cada segundo, e quando acaba, eles deixam algo no ar que nos fazem assistir ao próximo o mais rápido possível. Seria quase impossível ficar uma semana esperando o próximo episódio ir ao ar, mas como eu assisti pela internet recentemente, pude assistir um atrás do outro. Enfim, são três episódio com mais de três horas de Sherlock e Dr. Watson ao todo, não julgue uma série pela quantidade de episódios, ok?

3. A fotografia da série é muito bem produzida, assim como o roteiro, a trilha sonora e os figurinos. Apesar de passar em Londres nos dias atuais, as roupas de Sherlock nos passa algo nostálgico, remetendo a tempos passados, quando Conan Doyle criou o detetive mais famoso do mundo. Achei essa sacada genial, é tudo muito moderno e clássico ao mesmo tempo.

4. Além de Sherlock, Jim Moriarty (Andrew Scott) traz alguns jogos interessantes, sendo que se Sherlock não conseguir desvendar algumas charadas dele, ele mata pessoas. No episódio “O Grande Jogo”, Moriarty consegue fazer que Sherlock caia em uma armadilha, e decide matar ele e Watson, que foi feito vítima também.


5. A temporada termina com nossos nervos a flor da pele. O que acontece, só assistindo para saber. Concluindo, Sherlock é uma ótima série, bem produzida, belíssimas atuações, com destaque para o Benedict Cumberbatch, que faz um Sherlock digno do Sherlock de Robert Downey Jr., e que com toda a certeza agradará a todos, e quem sabe, fará aqueles que ainda não leram os livros do Sir Arthur Conan Doyle ler as aventuras desse detetive junto com o seu estimado companheiro, o Dr. Watson. 

Estou assistindo a segunda temporada, em breve irei escrever algumas considerações sobre.

Comentários

  1. Essa série é fantástica, cara! Martin Freeman e Benedict Cumberbatch nasceram para ser esses personagens!

    Abraços!!
    http://bravuraliterariablog.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito boa mesmo, Phelipe! Essa dupla funciounou muito bem, e sem dúvidas a série é a melhor do gênero. Abraços!

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Leia o conto "O Gato Preto", de Edgar Allan Poe

Não espero nem peço que acreditem nesta narrativa ao mesmo tempo estranha e despretensiosa que estou a ponto de escrever. Seria realmente doido se esperasse, neste caso em que até mesmo meus sentidos rejeitaram a própria evidência. Todavia, não sou louco e certamente não sonhei o que vou narrar. Mas amanhã morrerei e quero hoje aliviar minha alma. Meu propósito imediato é o de colocar diante do mundo, simplesmente, sucintamente e sem comentários, uma série de eventos nada mais do que domésticos. Através de suas consequências, esses acontecimentos me terrificaram, torturaram e destruíram. Entretanto, não tentarei explicá- los nem justificá-los. Para mim significaram apenas Horror, para muitos parecerão menos terríveis do que góticos ou grotescos. Mais tarde, talvez, algum intelecto surgirá para reduzir minhas fantasmagorias a lugares-comuns – alguma inteligência mais calma, mais lógica, muito menos excitável que a minha; e esta perceberá, nas circunstâncias que descrevo com espanto, na…

O livro sobre nada | Poema de Manoel de Barros

O livro sobre nada

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu que…

Download gratuito de livros: Crime ou um mal necessário?

Há dias atrás, questionei sobre a prática de downloads de livros de graça na internet. Eu mesmo confesso que sou um desses praticantes, e a reação das pessoas foram das mais diversas. Alguns entediam, e mesmo assim afirmava que era contra tal prática; outros, mais exaltados, diziam que isso era crime, e comparava as pessoas que baixavam e baixam livros pela internet como criminosos de alta periculosidade; outros, que era totalmente a favor de tal prática, explicava sua opinião sobre o assunto e depois era "crucificado" por tal afirmação — a de que baixava livros de graça sim, obrigado.

Os argumentos contrários eram contraditórios, pois afirmavam que tal prática afetava justamente aquele autor iniciante que ralava muito para publicar de forma independente, e quando conseguiam, alguém ia lá e disponibilizava gratuitamente seu ebook para download. Sendo que esse argumento é falho e refutável, pois a "demanda" e a real "necessidade" de baixar livros gratuitame…