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Múltipla Escolha, de Alejandro Zambra

O começo do livro foi bem nada com nada, me senti perdido. Qual o leitor que está acostumado com um livro, que conta diversas histórias sobre os mais variados assuntos, no formato de questões de vestibulares? Por isso o título “Múltipla Escolha”. É um chamado para sair do óbvio e forçar a mente a tirar significado de algo, primeiramente, sem sentido. Algumas páginas adiante já comecei a entrar na ideia do autor e acabei adorando o livro. Frases pequenas, com múltiplas escolhas para substituir os espaços em brancos, faz invocar logo aqueles tempos de escola. Acostumados a obedecer e ter que marcar alguma alternativa, percebermos o quanto fomos treinados e não educados, como o autor enfatiza. Aliás, é um dos assuntos que mais me marcou e proporcionou pensamentos filosóficos sobre o nosso sistema educacional, onde somos treinados a dar uma resposta correta, com medo de que não seja a correta, mesmo que outra alternativa faça mais sentido. 
Por que devemos adivinhar o que o professor/educa…

Chuva na praia | Contos

Era sábado a noite. Todos estavam felizes porque iriam à praia pela primeira vez. Os dois filhos de José e Maria estavam mais que ansiosos. Tudo estava acertado. De cinco horas da manhã sairiam de casa rumo à praia.
Estava fazendo um frio típico de quem mora no nordeste. Dia muito quente, noite fria. A família Ferreira morava no interior de Pernambuco.
"Mainha, falta muito pra chegar amanhã?", perguntou o menino mais novo, João. Era oito da noite, faltavam nove horas para eles irem viajar.
"Falta muito não meu filho, daqui a pouco já tá amanhecendo", disse Maria para João.
O pai, José, era um sujeito alto e forte. Simpático, um cabra macho, querido por todos. Pegou o carro do amigo emprestado, já que ele ainda não possuía um. Estava do lado de fora da casa, sobre o luar, lavando o carro. Gabriel, o filho mais velho, ajudava o pai.
"Painho, tomara que não chova amanhã, né?"
"Que isso Biel, deixe de conversa que a manhã o sol vai tá de escaldar um!” Terminaram de lavar o carro e entraram em casa. Maria já estava na cama, pois o seu dia não foi muito fácil. Então toda a família dormiu, e os meninos sonharam com o mar e com as brincadeiras que iriam fazer.
Cinco horas da manhã, José acorda as crianças. Escovam os dentes, tomam um banho e comem alguma coisa. Estava tudo pronto, em menos de uma hora estariam na praia.
A viagem foi tranquila. João e Biel aproveitaram para dormir um pouco. Bem, dormiram o caminho todo. Fazia um dia ensolarado, bastante bonito. Quando estavam chegando perto da praia, a mãe acordou os meninos. Balançando os corpos adormecidos das crianças ela dizia:
"Acordem, vejam só! Vamos meninos, olhem a praia!"
Eles despertaram do sono, sentaram-se e quando viram a paisagem, ficaram boquiabertos e encantados com aquele montante de água que parecia que ia engolir a cidade. Desceram do carro, e foram correndo de encontro ao mar. Foi uma alegria daquelas. De repente, como da água para o vinho, o céu ficou nublado.
"Hoje não, Deus...", sussurrava a mãe olhando para o alto em uma prece. Um pingo de água caiu na testa de João, que olhou para o céu e viu aquele tom de cinza melancólico. Outro pingo, e mais outro, e mais outro.

Comentários

  1. Amei o conto!!!!

    Adorei o seu blog e já estou a seguir :)

    beijos,
    Daniela RC
    Blog: Doce Sonhadora

    ResponderExcluir
  2. Conto simples e bonito! Me lembrou a mim mesma, nordestina, quando vi o mar pela primeira vez, aos dez anos. Achava incrível aquele azul sem fim.
    Parabéns!

    Por um Livro na Vida

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Anna! São comentários feito esse que me faz prosseguir. Beijos!

      Excluir

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