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A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …

Boyhood - Da Infância à Juventude | Crítica do Filme





Assisti recentemente o filme queridinho de Hollywood, aquele que arrancou várias críticas positivas e que acabou levando o Globo de Ouro de melhor filme. Pois bem, estava super ansioso para assisti-lo e dar uma opinião para os leitores aqui do blog.

O filme conta a história de Masom (Ellar Coltrane), filho de pais separados. Masom mora com a mãe e a irmã, mas tem que lidar com a ausência do pai, os relacionamentos fracassados da mãe, e as constante mudanças de casa. Com diálogos interessantes, situações engraçadas, e momentos dramáticos, Boyhood cumpre com toda aquela expectativa de ser uma obra brilhante. O longa foi rodado durante 12 anos, começando em 2002 e só finalizado em 2014. Richard Linklater foi genial em fazer algo assim, que ao meu ver, é algo incrível. Gravar com os mesmos atores, durante esse longo período, acompanhando as transformações de cada um, e principalmente apostando em atores mirins, o qual não dá para saber se durante esse tempo vai continuar sendo interessante para o público, foi muito arriscado, mas deu muito certo.



Richard quis passar algo mais humano, mais realista. Quem não conhece alguém que teve que enfrentar, desde criança, a separação de seus pais? Conforme Masom vai crescendo, como todos nós, vai amadurecendo e enfrenta várias crises normais de todo e qualquer adolescente (o que eu quero ser de verdade? fotógrafo? faço faculdade para quê?). Há um diálogo de Masom e Sheena, quando estão indo para faculdade, onde ele questiona o por quê de nós estarmos conectados direto ao Facebook, deixando assim as relações pessoas e realistas de lado. Com mais de duas horas de duração, vi na tela da tevê de minha casa, uma criança evoluindo, conhecendo a vida como ela é, saindo de sua inocência. Primeira namorada, primeira vez, álcool, cigarro... Mas só uma coisa que eu queria saber sobre os personagens desse filme: ao se casar pela segunda vez, Olivia (Patricia Arquette), sai de casa por causa da violência do marido, o qual tem mais dois filhos, e abandona-os lá com um pai bastante violento. Desde então, nada se fala mais sobre aquelas criaturas, e o que aconteceu com elas.
Para quem não assistiu ainda, corre e assista loga. Pois uma das grandes apostas para o Oscar desse ano é Boyhood - Da Infância à Juventude

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