Entrevista com o autor do livro Manchado | Entrevistas

O blog Café Literário teve o prazer de entrevistar um jovem escritor sergipano, o qual está para lançar seu primeiro livro intitulado Manchado, que conta a sua história logo após de sofrer um acidente de moto. Confira a entrevista.
Braian Thomas, autor do livro Manchado

Café Literário: Braian, sabemos do ocorrido com você. Em 2013 você sofreu um acidente de moto no qual causou a perda da visão do seu olho direito. Poderia nos contar um pouco sobre esse episódio?

Braian Thomas: Há pouco mais de 1 ano eu minha amiga voltávamos para casa, eu pegava carona na moto dela, uma biz, quando um motorista embriagado tentou fazer uma ultrapassagem e nos acertou. O impacto foi tão forte que eu voei numa distância tão grande da moto que os bombeiros quase não me encontraram.  A partir desse dia começou toda a minha historia, e uma das consequências da irresponsabilidade daquele motorista foi a perda parcial da minha visão. Hoje ainda estou em tratamento por conta das fraturas que sofri.

CL: Foi ainda na cama do hospital que você começou a escrever e decidir publicar um livro contando a sua história?

Braian: Sim, comecei a escrever ainda no hospital, por meio de notas no celular. Naquele tempo eu ainda não pretendia lançar um livro, era tudo muito recente, mas eu usava da escrita como uma forma de terapia, ajudava a passar por aquele longo tempo em que eu estava imóvel numa maca. Só então, 5 meses depois, eu decidi transformar todas as notas em um livro.

CL: O que a sua família achou da ideia de se publicar um livro contando a sua história?

Braian: Na verdade eu sou muito tímido, e tinha vergonha de contar para meus pais que eu estava escrevendo um livro. Quando já tinha terminado de escrever, decidi mostrá-los e então começar a trabalhar na publicação dele. Meus pais adoraram a ideia de seu filho ter escrito um livro, mas tinham medo quando o assunto era lançá-lo.

CL: Você e sua mãe saíram em busca de editoras que se interessassem em publicar o livro Manchado, mas o custo era muito alto não é isso? Pensou em desistir?

Braian: Comecei a procurar uma editora sabendo que o preço seria alto, e logo no começo recebi a proposta de uma editora grande, mas foi maior do que nós poderíamos pagar. As editoras grandes não cobram pelos serviços editoriais, mas exige que você adquira a primeira remessa de livros (normalmente 500 livros) e esse valor quase sempre ultrapassa os 10 mil reais. Para nós, é fácil acreditar em sonhos, mas para nossos pais nem tanto, e a minha vontade de lançar o livro parecia para eles nada mais que um sonho, e apesar de receber apoio, também ouvi "vamos deixar isso para depois, não temos dinheiro suficiente agora", mas eu estava determinado a arranjar um jeito de tornar isso real. Foi depois de pesquisar bastante que descobri as ferramentas de crowdfunding (financiamento coletivo).

CL: Demorou muito para você levantar o valor para publicá-lo?

Braian: Eu sabia que não conseguiria atingir mais de 10.000 reais com as doações de um financiamento coletivo então procurei uma editora mais em conta. Achei a Baraúna, uma editora menor, e que ofereceu um preço bem mais acessível. Começamos a campanha, com a meta de 4 mil reais. No começo achei mesmo que não iriam ajudar um "zé ninguém" a lançar um livro sobre ele, mas assim que comecei a divulgação recebi o apoio de pessoas maravilhosas da TV, rádio, jornais, amigos e familiares. Depois de 2 meses a campanha terminou, não alcançamos os 4 mil, mas uma boa parte disso.

CL: O que você quer passar para os leitores com o seu livro?

Braian: Esse é um livro sobre tudo que nos rodeia e nós não percebemos. É sobre cair e levantar, mesmo quando seria mais fácil ficar no chão. Sabe aquela vontade de desistir de tudo, da primeira vez que você erra? Você precisa continuar! Todos nós temos problemas, e não importa o tamanho deles, nós somos capazes de superá-los. Com esse livro eu pretendo mostrar o modo como eu passei por tudo e hoje estou aqui. Como antes de sofrer um acidente, eu dizia: "Se eu passasse 3 meses imóvel em uma maca eu morreria de tédio" e eu passei por isso, e não morri! É um livro sobre o que eu aprendi com a vida, e quero que todos aprendam, sem que precisem passar por isso.

CL: Pensa em escrever outros ou vai parar por aí?

Braian: Sim! Eu sempre amei escrever mas só depois dessa experiência escrever livros se tornou um desejo. Tenho algumas outras histórias e venho escrevendo-as, talvez um dia eu as lance, mas com um mercado literário tão difícil por aqui (pelo Brasil) não posso garantir isso. Mas caso eu lance, não serão livros sobre mim (risos), talvez romances.

CL: Quando Manchado será lançado? E por qual editora?

Braian: Ainda não tenho uma data, mas creio que está bem próximo. O livro já foi revisado e está em fase final. O livro será publicado pela editora Baraúna. Mais em breve farei algumas ações para promover o livro, e espero poder contar com a ajuda de vocês que estão lendo, para divulgar.

CL: Braian, chegamos ao final da entrevista. Deixe as suas considerações finais e agradecimentos, o espaço é todo seu.

Braian: Primeiro eu quero agradecer pelo apoio, pois foram pessoas como você, que acreditaram em mim e na minha historia, que estão tornando esse sonho real, e se tudo continuar dando certo poderemos juntos ajudar muitas pessoas! E esse é o meu maior propósito. Então convido todos a conhecerem a página do livro Manchado e brevemente a conhecerem meu livro e minha história, tenho certeza que todos poderão aprender muito com ele. E lembrem-se: não importa o quão difícil seu problema pareça, eu sei que você é capaz de superá-lo.

Comentários

  1. Oii tudo bem?
    Que história! Gostei bastante da entrevista, o Braian teve a ideia incrível em escrever o livro, colocar para fora tudo o que escrevia para si mesmo no celular, é muito bonita a capa, muito sucesso para o Braian!
    Fique com Deus! Aguardo sua visita *-*
    http://www.doceliterario.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tudo bem sim Amanda e obrigado pelo comentário. Realmente a história do Braian é incrível. Beijos!

      Excluir

Postar um comentário