Pular para o conteúdo principal

Múltipla Escolha, de Alejandro Zambra

O começo do livro foi bem nada com nada, me senti perdido. Qual o leitor que está acostumado com um livro, que conta diversas histórias sobre os mais variados assuntos, no formato de questões de vestibulares? Por isso o título “Múltipla Escolha”. É um chamado para sair do óbvio e forçar a mente a tirar significado de algo, primeiramente, sem sentido. Algumas páginas adiante já comecei a entrar na ideia do autor e acabei adorando o livro. Frases pequenas, com múltiplas escolhas para substituir os espaços em brancos, faz invocar logo aqueles tempos de escola. Acostumados a obedecer e ter que marcar alguma alternativa, percebermos o quanto fomos treinados e não educados, como o autor enfatiza. Aliás, é um dos assuntos que mais me marcou e proporcionou pensamentos filosóficos sobre o nosso sistema educacional, onde somos treinados a dar uma resposta correta, com medo de que não seja a correta, mesmo que outra alternativa faça mais sentido. 
Por que devemos adivinhar o que o professor/educa…

Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago | Crítica do Filme


Logo no início do filme um motorista japonês diz ter ficado cego, isso em meio ao trânsito. O sinal abre e ele continua lá parado. Buzinas soam, e o carro permanece parado. Os pedestres se aproximam para ver o que aconteceu. O motorista diz ter ficado cego. Então um homem o ajuda a leva-lo em casa, mas esse homem é um ladrão e rouba o então cego. Junto com a esposa, eles vão ao médico para saber o que aconteceu. O médico alega não ter nada de errado e o recomenda ir a outro hospital.

Na manhã seguinte ele (médico) também fica cego. Uma mulher que estava na fila do consultório no dia anterior também fica cega. O ladrão após ser preso fica cego. Boom. Uma epidemia de cegueira surge na cidade, levando o governo a pôr os infectados de quarentena em um sanatório abandonado. A mulher do médico vai com o esposo mesmo sem estar cega. Pouco a pouco vai chegando mais pessoas até o local ficar lotado. É aí que começa o problema: várias pessoas cegas para fazer tudo sem a ajuda de ninguém (a única ajuda é a da mulher do médico), e em pouco tempo o local fica sujo e desorganizado. Fazem suas necessidades onde acham que é para fazer, não tomam banho direito, mal se alimentam. É então que um cara se intitula o rei da ala 3 e decide botar o terror.

A pouca comida que chega agora está sob o domínio do rei da ala 3, e ele faz uma proposta: dinheiro ou joias por comida. As joias se acabam e ele tem outra proposta: mulheres em troca de comida. As mulheres da ala 2 se voluntariam, a começar pela mulher do médico. Absurdos acontecem com elas e ela nada faz, porque ela é a única que pode fazer alguma coisa porque ela consegue ver. Mas nada faz, até que uma das mulheres é morta.

Os personagens são bem construídos e bem preparados. Ver Alice Braga atuando cega é de tirar o fôlego, tal qual beira a perfeição a sua atuação. Digo que este filme é o meu favorito porque ele me fez entrar no conflito daqueles personagens, a vibrar com eles e a entrar em pânico com eles. E no final do filme, a ter esperança de dias melhores. Saramago deixa uma pulga atrás da orelha da gente quando o filme acaba.


O drama é dirigido por Fernando Meirelles e é uma produção brasileira-canadense-japonesa. E tem no elenco Alice Braga, Mark Ruffalo e Julianne Moore. O filme é uma adaptação do livro de mesmo nome de José Saramago, o qual estou ansioso para ler.

Opinião: Depois de assistir a presente obra, valorizei ainda mais minha visão. Durante o desenrolar do drama você fica se perguntando: e se isso acontecesse comigo? O roteiro muito bem escrito, como também a trilha sonora que é quase pouca. O elenco também é maravilhoso, uma escolha perfeita. A fotografia também gostei bastante, e principalmente da realidade que o filme passa, sem censuras ou preconceitos. Depois de assistir "Ensaio sobre a Cegueira" o considerei como o meu filme favorita, posição essa que não vai ser substituída por bastante tempo. 

Dou cinco xícaras de café para o filme.

Comentários

  1. Já ouvi muito sobre o livro, mas não sabia que tinha um filme. Admito que nunca li nada do Saramago, assim como nunca tive interesse em pesquisar mais sobre as obras do mesmo, mas agora que li sua crítica me interesse bastante não só pelo livro como também pelo filme. Farei o máximo para ler o mais rápido possível para que eu possa assistir a adaptação. Parabéns pelo blog, voltarei aqui sempre.

    Iuri Rodrigues | LiteraCult
    www.LiteraCult.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que você se interessou em assistir ao filme, também estou fazendo o máximo que posso para poder ler o livro. O filme beira a perfeição, e dá um aperto no coração... Obrigado cara, e volte sempre. Abraços!

      Excluir
  2. O filme é magnifico...o livro entao nao tenho palavras.jose saramago muitoo bom.
    sou bailarino fiz um solo em cima do filme.bom de mais.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que legal Elton, não vejo a hora de ler o livro. Abraços!

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Leia o conto "O Gato Preto", de Edgar Allan Poe

Não espero nem peço que acreditem nesta narrativa ao mesmo tempo estranha e despretensiosa que estou a ponto de escrever. Seria realmente doido se esperasse, neste caso em que até mesmo meus sentidos rejeitaram a própria evidência. Todavia, não sou louco e certamente não sonhei o que vou narrar. Mas amanhã morrerei e quero hoje aliviar minha alma. Meu propósito imediato é o de colocar diante do mundo, simplesmente, sucintamente e sem comentários, uma série de eventos nada mais do que domésticos. Através de suas consequências, esses acontecimentos me terrificaram, torturaram e destruíram. Entretanto, não tentarei explicá- los nem justificá-los. Para mim significaram apenas Horror, para muitos parecerão menos terríveis do que góticos ou grotescos. Mais tarde, talvez, algum intelecto surgirá para reduzir minhas fantasmagorias a lugares-comuns – alguma inteligência mais calma, mais lógica, muito menos excitável que a minha; e esta perceberá, nas circunstâncias que descrevo com espanto, na…

O livro sobre nada | Poema de Manoel de Barros

O livro sobre nada

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu que…

Download gratuito de livros: Crime ou um mal necessário?

Há dias atrás, questionei sobre a prática de downloads de livros de graça na internet. Eu mesmo confesso que sou um desses praticantes, e a reação das pessoas foram das mais diversas. Alguns entediam, e mesmo assim afirmava que era contra tal prática; outros, mais exaltados, diziam que isso era crime, e comparava as pessoas que baixavam e baixam livros pela internet como criminosos de alta periculosidade; outros, que era totalmente a favor de tal prática, explicava sua opinião sobre o assunto e depois era "crucificado" por tal afirmação — a de que baixava livros de graça sim, obrigado.

Os argumentos contrários eram contraditórios, pois afirmavam que tal prática afetava justamente aquele autor iniciante que ralava muito para publicar de forma independente, e quando conseguiam, alguém ia lá e disponibilizava gratuitamente seu ebook para download. Sendo que esse argumento é falho e refutável, pois a "demanda" e a real "necessidade" de baixar livros gratuitame…