Pular para o conteúdo principal

Múltipla Escolha, de Alejandro Zambra

O começo do livro foi bem nada com nada, me senti perdido. Qual o leitor que está acostumado com um livro, que conta diversas histórias sobre os mais variados assuntos, no formato de questões de vestibulares? Por isso o título “Múltipla Escolha”. É um chamado para sair do óbvio e forçar a mente a tirar significado de algo, primeiramente, sem sentido. Algumas páginas adiante já comecei a entrar na ideia do autor e acabei adorando o livro. Frases pequenas, com múltiplas escolhas para substituir os espaços em brancos, faz invocar logo aqueles tempos de escola. Acostumados a obedecer e ter que marcar alguma alternativa, percebermos o quanto fomos treinados e não educados, como o autor enfatiza. Aliás, é um dos assuntos que mais me marcou e proporcionou pensamentos filosóficos sobre o nosso sistema educacional, onde somos treinados a dar uma resposta correta, com medo de que não seja a correta, mesmo que outra alternativa faça mais sentido. 
Por que devemos adivinhar o que o professor/educa…

Coisas que você deveria saber sobre a vida dos leitores

Todo mundo conhece alguém que tem por mérito o status de leitor. Mas você sabe realmente como é a vida de um leitor? Se não, confira abaixo como eles são 24 horas por dia:

#1: Nunca está satisfeito com os livros que já possue


Isso mesmo meu caro amigo, nunca estamos satisfeito com os livros que já possuímos em nossa estante. Sempre queremos mais, não importa se temos na fila de espera uns 10 livros para ler, sempre queremos mais e mais. Não cansamos até conseguir comprar aquele lançamento, ou aquele clássico. Só nos damos por satisfeitos quando possuímos mais um título, até lançar outro.

#2: Sofrem com a morte dos personagens como se fossem realmente pessoas reais e próximas


Qual o leitor que nunca chorou quando um personagem morreu? Se não chorou, ficou chocado e por um bom tempo ficou olhando pro nada absorvendo tudo o que leu. No meu caso, chorei com a morte de Dobby, em Harry Potter e as Relíquias da Morte. Também chorei quando Dumbledore morreu, em o Enigma do Príncipe. Quando Fred Weasley morreu também. Foi como se alguém próximo, um ente querido tivesse partido. Minha família não entendeu nada, mas normal. Não somos entendidos por aqueles que deveriam nos entender.

#3: O vício de cheirar as páginas de livros novos


Qual o leitor que nunca fez isso? Isso nos dá um prazer imenso, aquele cheiro de folha nova não tem preço. Quando ganhei um livro de um familiar, imediatamente abri e o cheirei. Eles ficaram olhando para mim como se eu tivesse ficado louco. Melhor cheirar páginas de livros do que cocaína. Expliquei a eles essa mania de leitores, e por fim acabaram entendendo.

#4: Enlouquecem dentro de uma livraria


Todas as vezes que entramos em uma livraria, é como se estivéssemos no paraíso. Com uma trilha mental, a gente entra na livraria com esse pensamento: "Longe de casa, há mais de uma semana, milhas e milhas distantes do meus amor... Estou á um passo, do paraíso"  e é assim que adentramos e como crianças ficamos loucos com todos aqueles livros.

#5: Depressão pós-livraria 


Depois que o sentimento de alegria, euforia, e alucinação passa vem a depressão: não temos dinheiro para comprar os livros. Vamos para casa com o coração partido. Ó vida cruel, por que fazes isso conosco? Não superamos isso tão rápido, a mente fica naquele livro que você queria comprar, você imagina mil situações e bola vários planos para conseguir dinheiro para comprar, vem até o pensamento de roubar um banco rs. 

E essa é a nossa vida gostosa e sofrida como leitor. Se você quiser entrar para essa vida, saiba de uma coisa: Nem tudo são livros novos, disponível a qualquer momento para você. Ás vezes você vai ter que precisar ler em PDF para então comprar o físico. Mas não se preocupe, estamos juntos nessa!

Comentários

  1. Olá, como vai?
    São coisas que eu já sei faz algum tempo. Sintomas literários, rs rs rs :)
    Adoro ser bookaholic.

    http://enquantoestavalendo.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Opa, tudo bem cara. Isso mesmo, se não fosse por isso não teria tanta graça ser leitor, o bom é que sofremos e nos alegramos ao mesmo tempo. Abraços, volte sempre!

      Excluir
  2. Allenylson, você me descreveu perfeitamente...rs.
    "E essa é a nossa vida gostosa e sofrida como leitor." Super concordo.

    Abraços,
    Nina & Suas Letras

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ola nina, que bom que você se identificou :) essa é a nossa vida, gostosa e sofrida. Abraços e volte sempre!

      Excluir
  3. Perfeitamente! Os parentes ficam mesmo confusos quando cheiro livros novos na frente deles hauhauah' Uma vez estava em uma festa de natal, e ganhei uns 20 livros, e cheirei todos eles. Alguns me olharam como se eu fosse louca, outros foram logo perguntando porque eu fazia aquilo.
    Sejam como forem, são livros!
    Adorei o blog, um abraço.

    http://www.livroselinhas.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É mesmo assim Vitória, eles acham que somos loucos rs mas quem resiste a uma cheirada nas páginas de livros? haha, que bom que você gostou do blog, volte sempre! Beijos (:

      Excluir
  4. Exatamente isso que acontece! Principalmente cheirar livros novos, o cheirinho é muito agradável.
    Ah e eu tenho uma lista de livros para comprar antes de morrer e só aumenta a cada dia!
    Muito bom o post, blog perfeito =D

    senhorbolseirobrasil.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. E aí Matheus, já que drogas mata, nos viciamos em livros rs. O cheiro das páginas são ótimas, mesmo que as pessoas não entendam isso. Posso dizer que a minha também só aumenta, Deus queira que eu cumpra essa lista té o fim. Obrigado por gostar do blog mano, e volte sempre! Abraços.

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Leia o conto "O Gato Preto", de Edgar Allan Poe

Não espero nem peço que acreditem nesta narrativa ao mesmo tempo estranha e despretensiosa que estou a ponto de escrever. Seria realmente doido se esperasse, neste caso em que até mesmo meus sentidos rejeitaram a própria evidência. Todavia, não sou louco e certamente não sonhei o que vou narrar. Mas amanhã morrerei e quero hoje aliviar minha alma. Meu propósito imediato é o de colocar diante do mundo, simplesmente, sucintamente e sem comentários, uma série de eventos nada mais do que domésticos. Através de suas consequências, esses acontecimentos me terrificaram, torturaram e destruíram. Entretanto, não tentarei explicá- los nem justificá-los. Para mim significaram apenas Horror, para muitos parecerão menos terríveis do que góticos ou grotescos. Mais tarde, talvez, algum intelecto surgirá para reduzir minhas fantasmagorias a lugares-comuns – alguma inteligência mais calma, mais lógica, muito menos excitável que a minha; e esta perceberá, nas circunstâncias que descrevo com espanto, na…

O livro sobre nada | Poema de Manoel de Barros

O livro sobre nada

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu que…

Download gratuito de livros: Crime ou um mal necessário?

Há dias atrás, questionei sobre a prática de downloads de livros de graça na internet. Eu mesmo confesso que sou um desses praticantes, e a reação das pessoas foram das mais diversas. Alguns entediam, e mesmo assim afirmava que era contra tal prática; outros, mais exaltados, diziam que isso era crime, e comparava as pessoas que baixavam e baixam livros pela internet como criminosos de alta periculosidade; outros, que era totalmente a favor de tal prática, explicava sua opinião sobre o assunto e depois era "crucificado" por tal afirmação — a de que baixava livros de graça sim, obrigado.

Os argumentos contrários eram contraditórios, pois afirmavam que tal prática afetava justamente aquele autor iniciante que ralava muito para publicar de forma independente, e quando conseguiam, alguém ia lá e disponibilizava gratuitamente seu ebook para download. Sendo que esse argumento é falho e refutável, pois a "demanda" e a real "necessidade" de baixar livros gratuitame…