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Mostrando postagens com o rótulo livros

A peste, de Albert Camus

Orã é uma cidade comum. 200 mil habitantes. Os moradores de Orã estão apenas preocupados em como ganhar dinheiro. Suas preocupações não vão além do quanto ganham. Praticamente são insensíveis, não ligam para o próximo, apenas querem ganhar a vida de forma tranquila e honesta. Eles nunca imaginariam que algo de ruim poderia acontecer a todos eles. Estavam preocupados demais pensando em si mesmos. A cidade portuária era uma cidade sem vida, pois não havia verde nas ruas. O narrador desta crônica descreve a cidade como um lugar desprovido de beleza, vida e sentimentos humanos. Porém os concidadãos, maneira como o cronista se refere aos moradores da cidade em terceira pessoa, veem um surto de ratos. Não apenas ratos andando para lá e para cá, mas ratos saindo de seus buracos e morrendo à vista de todos. Sempre em grupo. Muitos ratos mortos. Uma coisa surreal. Nas ruas, ratos. Nas casas, ratos. Nas praças, ratos. A Prefeitura se encarrega de fazer esta limpeza, recolhendo os cadáveres ...

Os meninos que enganavam nazistas, de Joseph Joffo

Sabemos que o período nazista foi um dos piores episódios da nossa História. Nessa autobiografia envolvente, Joseph Joffo narra como ele e seu irmão fugiram dos nazistas e como conseguiram enganar aqueles homens que detestavam os judeus. Vivendo na França ocupada pelos alemães nazistas, os dois irmãos se veem sendo introduzidos a um mundo adulto repleto de maldade. Seus pais, que também fugiram da Rússia pelo fato de serem judeus, envia os dois filhos para uma cidade onde o domínio nazista não é muito forte. Imagino o quanto foi difícil para esses pais ver suas duas crianças partirem sozinhas rumo a um futuro desconhecido e perigoso, tendo que viver fugindo de pessoas más pelo simples fato de serem judeus. “O que é judeu”, pergunta Joseph ao pai inocentemente. No mundo infantil, onde a inocência ainda permanece imaculada, ter que entender algo dessa dimensão não é fácil. Antes viviam tranquilos e vagabundeando pelas ruas de Paris, agora estavam lutando para não serem capturados pel...

Na escuridão da mente, de Paul Tremblay

“Me assustei para valer, e eu não sou nada fácil de assustar”, diz Stephen King sobre este livro. Confesso que fiquei com medo, e até posterguei a leitura. Mas acabei encarando o desafio e dei início à leitura. Bem, é assustadora ! Até certo ponto, pois depois tudo começa a ficar meio perdido. Sim, a história é sobre a (não?) possessão de Marjorie, filha mais velha de pais à beira de uma ruptura familiar e irmã de Merry , a irmã mais nova e pela qual sabemos como tudo aconteceu. Como o pai de Merry estava desempregado e com toda a situação assombrosa em casa, o padre Wanderly convence-o a transformar o drama familiar em um programa de televisão, A Possessão . Com este programa a família voltaria a ser próspera, mas o quanto vale a pena expor a família para todo o público? Quem nos leva ao passado é a Merry já adulta, que concede entrevistas a uma autora que irá escrever sobre tudo o que aconteceu com a sua irmã, e como se deu as filmagens do programa mais assustador da época...

Como me tornei um leitor

A leitura é um prazer quase de outro mundo. Quando descobri o mundo dos livros, já muito tarde, eu estava prestes a ingressar no ensino médio. Lembro-me de antes disso ler alguns livros, mas ainda não era fascinado pela leitura. Ao tentar buscar onde esse desejo apareceu pela primeira vez, minha memória falha. Algumas cenas do Capitão Gancho vêm em minha mente, mas é algo totalmente desconexo. O que lembro, e claramente bem, é do livro Transilvânia , um livro que li todo e que me transportou, magicamente, para outro mundo — o da história contada pela autora, que é brasileira. Não o quis devolver para a biblioteca da escola, mas fui obrigado. Foi o primeiro contato com a literatura que eu tive, e a primeira vez que me senti completamente arrebatado para outro mundo.  via GIPHY Como meus pais não incentivavam a leitura em casa, passou-se um longo tempo até que eu retornasse para o fantástico mundo dos livros. Dessa vez, Harry Potter . Foi aí que me tornei um leitor frenético...

Belas Maldições, de Terry Pratchett e Neil Gaiman

O fim do mundo está próximo, mas não tão próximo assim. Quero dizer, não em Belas Maldições, livro de Neil Gaiman e Terry Pratchett. Um anjo e um demônio, Aziraphale e Crowley, apesar de tudo o que sabemos sobre anjos e demônios, são muito próximos e até diria que amigos, mas claro que disfarçadamente para poder não pegar mal com o Céu e o Inferno. Após trocar o bebê que seria o Anticristo e acabaria com este mundo, muitas atrapalhadas acontecem e o fim do mundo corre o grande risco de não ser mais o fim do mundo. Ainda temos um livro de uma bruxa que profetizou sobre tudo o que aconteceria antes do fim do mundo, o As Justas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa. Nesta história o leitor irá encontrar anjos, demônios, ETs, caçadores de bruxas, crianças que brincam de Inquisidores, os quatro cavaleiros do Apocalipse, uma bruxa e um cão infernal que está mais preocupado em caçar ratos e gatos do que em ser um cão infernal. Tudo isto se encaixa e faz de Belas Maldições uma história diver...

Roger Scruton defende em “A alma do mundo” a experiência do sagrado frente aos ateísmos contemporâneos

Um dos mais respeitados nomes do conservadorismo britânico , Roger Scruton evita defender a prática ou doutrina de uma fé em especial.  No entanto, em seu novo livro, “A alma do mundo” , o filósofo lança seu olhar sobre uma visão religiosa do mundo, que, a seu ver, não pode ser captada pelas lentes dos materialistas e dos naturalistas. Longe de apresentar uma defesa da existência de Deus , Scruton argumenta que, independentemente do significado evolucionista que possa ser atribuído à crença religiosa e seu papel na seleção natural, há uma função fundamental que ela representa, referente à manutenção da vida humana: “As religiões dão foco e ampliam o senso moral; elas cercam aqueles aspectos da vida nas quais as responsabilidades pessoais estão enraizadas, notavelmente, o sexo, a família, o território e a lei. Elas alimentam as emoções distintamente humanas, como esperança e caridade, que nos elevam acima dos motivos que regem a vida dos outros animais e nos levam a vi...

A hipótese humana, de Alberto Mussa

Um romance policial de assunto histórico, segundo o próprio escritor. Rio de Janeiro, século XIX. Um crime não solucionado, e um desfecho um pouco óbvio. Em A Hipótese Humana, o quarto livro do compêndio mítico sobre os séculos da história do Rio. De fato, mítico. Não li os três livros anteriores, mas neste o mito está bem presente. Assim como as crenças e rituais místicos daquela época. Domitila, filha do coronel Francisco Eugênio, é encontrada morta em seu quarto. Mas sabemos que Tito Gualberto lá esteve antes do assassinato (?) da sua prima, e amante. O coronel escuta barulhos vindos do quarto provisório da filha, situado no térreo ao lado da biblioteca, e adentra-o tarde demais, pois só vê um vulto além da janela e dispara contra quem quer que seja. O detetive, ou investigador, como você queira chamar, é o próprio Tito, amante da vítima. Suspeita primeiramente do marido de Domitila, Zé Higino. Mas tudo parece muito confuso, e o caso mostra ser bem mais complexo do que se imag...

"Bartleby, o escrivão", de Herman Melville

Ao ler “Bartleby, o escrivão”, o leitor fica curioso em saber mais do personagem tão excêntrico. A história é narrada por um advogado, dono de um escritório, que começa a explicar como conheceu Bartleby. Primeiro apresenta seus funcionários e suas manias peculiares, pois Nippers pela parte da manhã tem um temperamento efusivo, mas a tarde fica gentil; e Turkey agia de modo semelhante, mas ao contrário: pela manhã era cortês e gentil, e à tarde era, como o próprio narrador o descreve, insolente. Mas o que o levaria a continuar empregando esses homens tão estranhos? Podemos julgar o caráter dele pelo modo que trata Bartleby. É um homem paciente, e que gosta de ver o lado positivo e lucrativo das coisas. O terceiro empregado é um menino, aparentemente normal. Mas quando conhece Bartleby, a história beira o absurdo. Não sabemos o seu nome, só que era advoga e idoso quando começou a contar quem era Bartleby. “ Preferia não fazê-lo” é uma frase que será repetida várias vezes, e que ...

O lobo das planícies, de Conn Iggulden

O primeiro livro da série O Conquistador narra a juventude de Gengis Khan e a sua difícil jornada que o tornaria temido por todos. Após ser levado para a tribo da sua mãe pelo seu pai, Yesugei, Temujin descobre que a vida não lhe deixará sossegado. Viver durante um ano longe da tribo dos lobos e longe da sua família lhe trará muita humilhação e raiva. A garota que fora escolhida para ser a sua mulher é de uma família sem prestígios, e o velho Sholoi, pai de Borte – sua futura esposa – não o deixa em paz. Temujin atura tudo pensando em orgulhar o seu pai, mas não tira da mente o pensamento de fugir. A princípio, não vê nada na garota que lhe foi prometida. Mas depois de alguns acontecimentos, passa a desejá-la e convida Borte para fugir com ele. É quando a notícia de que Yesugei havia morrido chega. Temujin volta à tribo dos lobos, mas percebe que algo mudou. A traição era latente e Eeluk, homem de confiança do seu pai, reivindica ser cã dos lobos e trai a família daquele que ta...

A definição do amor, de Jorge Reis-Sá

Tentar definir o amor é uma tarefa difícil, mais ainda se você vive no século XXI onde tudo o que possa imaginar é amor. Mas Jorge Reis-Sá tenta defini-lo em seu A definição do amor, publicado pela Tordesilhas . Francisco perde a mulher, mas que ainda permanece viva para conservar a vida de sua filha. A Matilde, ao contrário da mãe, precisa viver e precisa do corpo da mãe que é mantida viva por aparelhos. Francisco sabe que a sua amada está morta, e daí segue curtos capítulos de um amor mórbido, uma visão de mundo niilista, onde nada mais tem sentido o principal objetivo é a morte. Até a morte da inocente Matilde, que não tem culpa pelo acidente que tirou a vida da mãe. Ele tem um filho de poucos anos de idade, o qual passa a viver com a mãe, já que o seu mundo agora desabou e só é morte. Pensa em morrer também, mas quem cuidaria dos filhos? Pensa que deveria ter sido ele, a estar naquela máquina fria e cheia de aparelhos. Mas se fosse ele, será que Susana viveria o luto tão inte...

Um romance autobiográfico sobre a morte de uma figura paterna

Muitos veem a morte como um tabu. As histórias não mais abordam esse tema, seja por medo ou por não criar interesse no leitor. É um tema pesado, sombrio, complexo e inevitável. A morte vem para todos, não há como escapar. E Karl Ove  Knausgård  não teve medo e escreveu um livro sobre a morte do seu pai. O primeiro da série Minha Luta , que despertou grande interesse em leitores de todo o mundo, é profundo, inquietante e prazeroso. Não sei se posso defini-lo como autobiográfico, mas Karl Ove relembra de um episódio que o levou a escrever esse primeiro volume. Quando criança, uma notícia de que um navio havia naufragado despertou o interesse do jovem Karl Ove. Ao olhar para a televisão, viu a figura de um rosto formado pelo mar. Foi tão marcante que ele, com certo medo, conta ao pai o que tinha visto e fica pensando sobre isso durante dias – pensando também em como provar de que ele realmente vira um rosto. A relação de pai e filho não é das melhores. O pai é distante e causa...

O poderoso chefão

Muitos conhecem O Poderoso Chefão das telonas, mas talvez nunca leram o livro que deu origem ao clássico da sétima arte. O livro de Mario Puzo também é um clássico da literatura e se tornou rapidamente um best-seller. Escrito com a urgência de um pai que tinha que ganhar dinheiro para criar os cinco filhos, pois os seus lançamentos não lhe rendiam muito, apesar de serem bem recebidos pela crítica, O Poderoso Chefão teve os direitos de adaptação para o cinema vendidos para a Paramount dois anos antes de ser lançado, o que evidenciava que a obra já era um sucesso instantâneo. Quando foi lançado, em 1969, o livro permaneceu mais de um ano na lista dos mais vendidos. Virou uma obra prima nas mãos de Coppola. Publicado pela Record, o clássico ganhou nova capa em 2016. Contando a história, fictícia, de Don Corleone, ou o Padrinho, o autor escreveu tão detalhadamente e com muita verossimilhança que os chefes das máfias em Nova York ficaram suspeitando de que o autor recebera inform...

Aposentado cria projeto social de incentivo à leitura no interior de Pernambuco

José Normando da Silva, aposentado, mais conhecido como vovô Normando, é um apaixonado pelos livros e decidiu, há dois meses, colocar uma barraca de livros perto da Escola Municipal Maria Anunciada, na cidade de Carpina (PE) e mudar a realidade do bairro onde mora. Seu receio era que ninguém se interessasse pelos livros e sua ideia não desse certo. Não só deu certo, como atualmente não há espaço para todos os livros que a banquinha do Vovô Normando já recebeu. O projeto é sem fins lucrativos, Normando apenas pede doações de livros. Mas o seu sonho é expandir o projeto, alugar um local para poder organizar todos os livros e criar uma área de estudos com mesas e cadeiras. Literatura nacional e estrangeira, livros técnicos, didáticos, ensaios, etc. estão disponíveis a todos. Funciona como se fosse uma pequena biblioteca e Normando incentiva também a troca de livros. A banquinha foi feita por ele mesmo com materiais reciclados. Com a coragem e a paixão, começou com os livr...