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Mostrando postagens com o rótulo fantasia

Belas Maldições, de Terry Pratchett e Neil Gaiman

O fim do mundo está próximo, mas não tão próximo assim. Quero dizer, não em Belas Maldições, livro de Neil Gaiman e Terry Pratchett. Um anjo e um demônio, Aziraphale e Crowley, apesar de tudo o que sabemos sobre anjos e demônios, são muito próximos e até diria que amigos, mas claro que disfarçadamente para poder não pegar mal com o Céu e o Inferno. Após trocar o bebê que seria o Anticristo e acabaria com este mundo, muitas atrapalhadas acontecem e o fim do mundo corre o grande risco de não ser mais o fim do mundo. Ainda temos um livro de uma bruxa que profetizou sobre tudo o que aconteceria antes do fim do mundo, o As Justas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa. Nesta história o leitor irá encontrar anjos, demônios, ETs, caçadores de bruxas, crianças que brincam de Inquisidores, os quatro cavaleiros do Apocalipse, uma bruxa e um cão infernal que está mais preocupado em caçar ratos e gatos do que em ser um cão infernal. Tudo isto se encaixa e faz de Belas Maldições uma história diver...

O segredo de Heap House

No primeiro volume das Crônicas da Família Iremonger, um mundo totalmente sombrio é apresentado ao leitor. Temos a narrativa de Clod Iromonger, um dos vários Iremonger que moram em Heap House, uma mansão enorme construída com várias partes de vários lugares de Londres. O pano de fundo da história é o século XIX, e a crítica chegou a comparar o livro como “uma encantadora mistura de Charles Dickens com Lemony Snicket.” Sim, algo me fez lembrar Davidd Copperfield. As ilustrações dão um tom ainda mais sombrio, e tudo fica mais esquisito e interessante ao virar das páginas. Os Iremonger moravam nos cúmulos, em Forlichigam, Londres. Os cúmulos são como os nossos lixões, por assim dizer. Só que os lixões que conhecemos não ganham vida própria, como o dos cúmulos... Cada Iromonger possui um objeto de nascença. O leitor pode estranhar, pois é realmente estranho. Não consegui achar alguma explicação plausível para tais apetrechos, que para as personagens é como se fosse um pedaço de su...

Imaginário, de Gabriel Cianeto

Pessoas somem misteriosamente de um povoado e isso causa espanto para todos que ali moram. O que teria acontecido? Quem levou essas pessoas? É a partir daí que a história de Imaginário ganha vida. Metamorfo, Aradia, Watermade e Whisper’eaht, que possuem poderes, dons mágicos, partem em busca de seus parentes, amigos ou apenas conhecidos numa viagem incerta e cheia de surpresas. Já conhecemos muitas histórias parecidas e essa, para mim, seria apenas mais uma história fantástica. O mais do mesmo. Mas a história perde o foco, segue por rumos inconsistentes e tem diálogos superficiais. Não é uma aventura com muita ação, magia, trolls, dragões. Mas há fadas, poderes sobrenaturais e uma fonte que, supostamente, é a causadora de todos esses sumiços. A leitura se torna maçante ao longo das páginas, os erros ortográficos (culpa da editora, acredito) deixam o leitor inquieto e as personagens não são bem desenvolvidas ao ponto do leitor saber quando Metamorfo está falando, suas caracterís...

Terry Pratchett e a Cor da Magia

De forma bem humorada, o primeiro livro da série Discworld é, a princípio, um tanto confuso, mas vai ficando mais compreensível ao virar das páginas e, quando menos damos conta, estamos empolgados com as aventuras de Rincewind e Duasflor. O leitor é apresentado a um mundo totalmente novo, sem algum tipo de clichê. E o que torna a escrita de Terry Pratchett agradável é o humor, pois ao descrever sobre como funciona o Discworld e explicar outras coisas relacionadas ao Disco, tende a deixar a leitura de difícil compreensão, já que aqui estamos falando sobre um livro de fantasia. Geralmente os leitores buscam na fantasia uma história nem muito complexa, nem muito rasa. Uma história complexa que não agrada muito alguns fãs do gênero fantasia é a obra fantástica do J. R. R. Tolkien, O Senhor dos Anéis . Descrições longas, informações demasiado... Eu, particularmente, adoro livros assim. Mas há quem não goste. A Cor da Magia vai por esse caminho, mas o que não deixa a leitura maçan...

Outro conto sombrio dos Grimm

Os irmãos Grimm Esqueça os contos de fadas da Disney, ou qualquer um que você tenha lido na infância. Em Outro conto sombrio dos Grimm, Adam resgata o verdadeiro sentido dos contos de fadas: assustar. Bem, não que seja muito assustador – para nós, adultos. Mas se for contada à crianças, sim. O autor tomou a liberdade de criar a partir dos contos originais, datados lá do século XIX. Jack e o pé de feijão transformou-se em Jack e Jill, e as aventuras dessas duas crianças são perigosas e (quase) mortais.  Há gigantes rasgando a própria barriga e morrendo, cabeça aberta, duendes sendo assassinados, tentativas de homicídio (sim!), sereias confundindo garotas, pessoas sendo con-fundidas (é isso mesmo, con-fundidas; para saber o que significa o termo, só lendo o livro), sapo falante de três patas, salamandra gigante, porão feito de ossos de crianças... Bem assustador para um conto de fadas, não é mesmo? ★ ★ ★ ★ Era comum nos séculos passados contar histórias assim. Pois...

Por que ler fantasia e as 5 séries fantásticas publicadas no Brasil

“Contos de fada não dizem às crianças que dragões existem. Crianças já sabem que dragões existem. Contos de fada dizem às crianças que dragões podem ser mortos.”                                             — G.K. Chesterton Muitos ignoram o gênero literário ‘fantasia’ por simplesmente pensar que já está crescido demais para acreditar em histórias ‘de crianças’. Pensam que livros com a temática fantástica é puro escapismo para gente que não aguenta a dura realidade. Mas eu pergunto: Quem aguenta? A música, arte, dança, literatura foi criada (e quando foram criadas?) para essa finalidade. Quando escutamos uma música, apreciamos uma obra de arte ou simplesmente dançamos, estamos deixando de lado aquela monótona vida preta e branca para dar cores e alegrá-la, mesmo que seja uma alegria momentânea. De fato, quando estamos empenhados em uma dessas atividades ou prazere...

O Gigante Enterrado e a fantasia sutil

Ambientado em uma Inglaterra medieval e fantástica, habitada por ogros, duendes, cavaleiros e uma dragoa, Ishiguro conta a história de Axl e Beatrice, um casal de idosos que sai em uma jornada até a aldeia de seu filho. Tanto bretões como saxões são afetados por uma névoa que apaga o passado da memória de todos. Quase ninguém se dá conta de que suas memórias são apagadas dia após dia, e o casal, talvez, sejam os únicos na aldeia que percebem o que de fato está acontecendo. Axl ama a sua mulher, e a chama carinhosamente de princesa. Mas um sentimento forte e rancoroso quer despertar e isso possivelmente abalará a vida dos dois. O mesmo acontece com Beatrice, mulher gentil e preocupada com o homem com quem está casada. Os dois se lembram de uma discussão que tiveram, após Beatrice sugerir que eles fossem visitar a aldeia do filho. Axl não recorda desse tal filho e pergunta-se se de fato esse filho existe. Essa névoa do esquecimento afeta de forma sutil mas cruel a todos que, mesmo ...

O Cavalo e seu Menino, de C. S. Lewis

O terceiro livro de As Crônicas de Nárnia em ordem cronológica, O Cavalo e seu Menino, narra a história de duas crianças fugindo em dois cavalos falantes. Shasta vive em uma aldeia de pescadores e vive como se fosse um empregado do seu pai ‘adotivo’, Arriche. Quando um tarcãa chega à aldeia e pede para se hospedar na casa de Arriche, este aceita sem hesitar. Com um hóspede nobre, o pescador coloca Shasta para dormir no estábulo junto com o burro de carga, tendo como comida apenas um naco de pão. Arriche não era um pai afetivo, acho que ele nem se considerava pai do menino. Via mesmo ali uma oportunidade de ganhar mais dinheiro, e quando o tarcãa oferece uma quantia por Shasta, ele ver que pode arrancar um bom dinheiro com a venda do menino e assim começam a barganhar um preço pelo garoto. Ao ouvir que o seu ‘pai’ iria lhe vender, o menino decide fugir e ir para o Norte — era o seu grande sonho conhecer o Norte. Ao se dirigir ao cavalo, e sem esperar nada, desejar que o animal fa...

O Olho do Mundo e a eterna luta do bem contra o mal

O primeiro livro da série A Roda do Tempo, de Robert Jordan, retrata a já conhecida luta do bem contra o mal. Considerado como o sucessor de J. R. R. Tolkien, Jordan faz jus a esse ‘título’. A fantasia medieval de O Olho do Mundo magnífica, e remete ao mundo criado pelo mestre da fantasia, embora com muitas diferenças. Campo de Emond é um vilarejo distante das grandes cidades, e lá moram Rand All’Thor, Mat e Perrin, três garotos que são os protagonistas, em certo sentido, desse primeiro livro. Vale ressaltar que, ao apresentar três possibilidades para ‘o escolhido’, o autor deixa os leitores livres para imaginar qual dos três é o Dragão Renascido, um libertador que derrotaria o inimigo da Luz, Shai’tan, ou Tenebroso. Moirane Sedai está em Campo de Emond em busca dos três jovens ta’veren, para poder os proteger da ameaça das Sombras. Trollocs, criaturas com corpos humanos e cabeças de animais, a maioria cabeças de lobos, e os Desvanecidos, homens das Sombras que não possuem ro...