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Mostrando postagens com o rótulo contos

Dez contos para você ler Eça de Queirós e não pegar abuso

Eça de Queiros é um daqueles autores em que os estudantes não aguentavam ler uma página sequer. Não porque fosse ruim, mas sim por causa da obrigatoriedade. Temos muitos problemas com os autores de língua portuguesa exatamente por culpa do nosso ensino que está, há muito, ultrapassado em nosso país. Mas lendo os Dez contos de Eça de Queiros  [José Olympio, 256 pgs R$39,90] fiquei encantado com aquelas narrativas fluidas, interessantíssimas e até mesmo sublime. Em alguns contos, como o Civilização, podemos perceber o quanto é atemporal. este conto em especial fala sobre os perigos que a civilização tem para os homens, pois esta em vez de fazê-lo feliz, faze-o triste e sem ter prazer na vida mesmo tendo acesso às mais variadas novas tecnologias. Jacinto, amigo do narrador deste conto, era um homem que tinha tudo e nada lhe faltava: saúde, amigos, riquezas. Estava envolto das mais recentes inovações, tinha para si uma imensa biblioteca, comidas finas, tapetes macios, produtos dos...

Quatro estações, de Stephen King

As quatro longas histórias reunidas nesse livro são quatro contos ‘comuns’, mas escritos pelo mestre do terror Stephen King. Não, elas não são de terror – embora haja esse elemento em algumas delas. Rotulado como escritor de terror, essas histórias são para provar que ele pode escrever histórias comuns, sem recorrer ao sobrenatural. Quatro estações é divido em quatro contos, um para cada estação. Em  Primavera Eterna: Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank,  King escreve sobre uma fuga inesperada, para não dizer impossível, de um presídio americano no estado do Maine. Descrevendo sobre a vida dura e difícil daqueles homens que estão sem esperanças e sem liberdade, o autor consegue fazer o leitor ter empatia pelo Red, o narrador dessa história, e claro, torcer para Andy Dufresne, que foi acusado de ter matado a esposa e o amante. Andy diz que é inocente e mantém a esperança de que ganhará sua liberdade novamente, pois ainda acredita na Justiça. Os dois acabam desenvolvend...

Leia o conto "O Gato Preto", de Edgar Allan Poe

Não espero nem peço que acreditem nesta narrativa ao mesmo tempo estranha e despretensiosa que estou a ponto de escrever. Seria realmente doido se esperasse, neste caso em que até mesmo meus sentidos rejeitaram a própria evidência. Todavia, não sou louco e certamente não sonhei o que vou narrar. Mas amanhã morrerei e quero hoje aliviar minha alma. Meu propósito imediato é o de colocar diante do mundo, simplesmente, sucintamente e sem comentários, uma série de eventos nada mais do que domésticos. Através de suas consequências, esses acontecimentos me terrificaram, torturaram e destruíram. Entretanto, não tentarei explicá- los nem justificá-los. Para mim significaram apenas Horror, para muitos parecerão menos terríveis do que góticos ou grotescos. Mais tarde, talvez, algum intelecto surgirá para reduzir minhas fantasmagorias a lugares-comuns – alguma inteligência mais calma, mais lógica, muito menos excitável que a minha; e esta perceberá, nas circunstâncias que descrevo com espanto...

20 contos de Truman Capote

Conheci Truman Capote em minhas pesquisas sobre o jornalismo literário. O aclamado livro “A Sangue Frio”, um romance-reportagem onde Truman faz uma investigação aprofundada sobre o assassinato de quatro membros de uma família, no Oeste do Kansas. Pensando em me iniciar nas obras do Capote, decidi ler primeiro “20 Contos de Truman Capote”, pela Companhia das Letras. Comecei a ler o ano passado — sim, até hoje me pergunto o porquê levei todo esse tempo — e só o concluí esse fim de semana. Os primeiros contos são sobre a alta sociedade americana, que Capote sempre reverenciou e a mesma retribuiu com adoração, e os últimos são um retrato de sua infância, que podemos notar traços nostálgicos sobre um período duro, mas feliz, da vida de Capote. Surpreendido pela narrativa e pela sensibilidade de observação, os contos são maravilhosos.  “O Jarro de Prata” conta a história de um menino pobre que, entrando em um estabelecimento, viu um jarro cheio de pratas, e se dispôs a adivinhar...

Uma estranha charada | Agatha Christie

— E esta — disse Jane Helier, completando suas apresentações — é miss Marple! Como atriz, ela conseguiu atingir seu intento. Era claramente o clímax, o   gran finale   triunfal! Seu tom era uma mistura de admiração reverente e triunfo. O estranho é que o objeto tão orgulhosamente proclamado era apenas uma velhota solteirona, afável, detalhista. Os olhos dos dois jovens que haviam sido recém-apresentados a ela pelos bons ofícios de Jane, mostraram incredulidade e um traço de desalento. Eram pessoas de boa aparência; a moça, Charmian Stroud, esbelta e morena; o homem, Edward Rossiter, um jovem gigante, amável e de cabelos loiros. — Oh! Estamos muito felizes de conhecê-la! — Charmian disse de um fôlego. Mas havia dúvida em seus olhos. Ela lançou um olhar rápido e inquiridor a Jane Helier. — Querida — disse Jane respondendo ao olhar —, ela é absolutamente   maravilhosa . Deixe tudo com ela. Eu lhe disse que a traria aqui e trouxe — e acrescen...